Atresia de Vias Biliares: Diagnóstico Precoce em Lactentes

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Menina, 60 dias de vida, nascida a termo, apresentou icterícia aos 5 dias de vida, com resolução após 5 dias. Mãe relata que houve retorno da icterícia aos 15 dias de vida, com piora progressiva e percebeu que as fezes estão esbranquiçadas. Exame físico: bom estado geral; eutrófica; ictérica (3+/4+) até zona 3 de Kramer; hepatomegalia, com fígado palpável a 4cm do rebordo costal direito, de consistência endurecida; esplenomegalia, com baço palpável a 2cm do rebordo costal esquerdo. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) hepatite viral aguda
  2. B) atresia de vias biliares
  3. C) colangite esclerosante
  4. D) icterícia fisiológica

Pérola Clínica

Icterícia progressiva + fezes esbranquiçadas em lactente = Atresia de Vias Biliares até prova em contrário.

Resumo-Chave

A icterícia que retorna e piora progressivamente, associada a fezes esbranquiçadas (acolia fecal) e visceromegalias em um lactente, é altamente sugestiva de colestase, sendo a atresia de vias biliares a principal hipótese diagnóstica que exige investigação e intervenção urgentes.

Contexto Educacional

A atresia de vias biliares é uma doença rara, mas grave, caracterizada pela obliteração progressiva dos ductos biliares extra-hepáticos, resultando em colestase e dano hepático progressivo. É a causa mais comum de doença hepática crônica em crianças e a principal indicação de transplante hepático pediátrico. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso da cirurgia de Kasai, que visa restabelecer o fluxo biliar. A apresentação clínica típica inclui icterícia colestática (bilirrubina direta > 20% da total ou > 1 mg/dL se total < 5 mg/dL) que persiste além de 14 dias de vida, fezes acólicas (esbranquiçadas ou cinzentas) e urina escura. Hepatomegalia e esplenomegalia podem estar presentes. A icterícia fisiológica, por outro lado, é de predomínio indireto e se resolve espontaneamente. A investigação diagnóstica inclui exames laboratoriais (bilirrubinas, enzimas hepáticas), ultrassonografia abdominal para avaliar a vesícula biliar e ductos, e, em alguns casos, cintilografia hepatobiliar. A cirurgia de Kasai (portoenterostomia) deve ser realizada idealmente antes dos 60 dias de vida para maximizar as chances de sucesso e evitar a necessidade de transplante hepático.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para atresia de vias biliares em um lactente?

Os principais sinais de alerta incluem icterícia que persiste ou retorna após o período neonatal, fezes esbranquiçadas (acolia fecal), urina escura e, em exames físicos, hepatomegalia e esplenomegalia.

Por que a atresia de vias biliares é uma emergência pediátrica?

É uma emergência porque o atraso no diagnóstico e tratamento cirúrgico (cirurgia de Kasai) leva à progressão da fibrose hepática, cirrose biliar e insuficiência hepática, necessitando de transplante hepático em idade precoce.

Como diferenciar a atresia de vias biliares de outras causas de icterícia neonatal?

A diferenciação envolve a avaliação da cor das fezes (acolia é chave para atresia), exames laboratoriais (bilirrubina direta elevada), ultrassonografia abdominal e, se necessário, biópsia hepática e colangiografia intraoperatória.

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