UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021
Um lactente de 7 semanas apresenta-se ictérico. A investigação laboratorial mostra bilirrubina total e direta aumentadas, assim como aumento das enzimas hepáticas. As fezes são acólicas e há colúria, sendo solicitado ultrassom abdominal. O lactente nasceu a termo com gestação sem intercorrências, está usando leite materno exclusivo, com bom crescimento e desenvolvimento. Nega outras doenças até o momento. Baseado na principal hipótese diagnóstica, os achados ultrassonográficos podem indicar
Icterícia colestática em lactente > 2 semanas com fezes acólicas → Atresia de vias biliares. USG: microvesícula biliar e remanescente fibroso.
A atresia de vias biliares é a causa mais comum de icterícia colestática obstrutiva em lactentes. A suspeita clínica é crucial, baseada em icterícia persistente, fezes acólicas e colúria, e o ultrassom abdominal pode fornecer achados sugestivos para o diagnóstico precoce.
Atresia de vias biliares é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela obliteração progressiva dos ductos biliares extra-hepáticos, levando à colestase e cirrose biliar. É a causa mais comum de icterícia colestática obstrutiva em lactentes, com incidência de 1:10.000 a 1:18.000 nascidos vivos. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e melhor prognóstico. A fisiopatologia envolve um processo inflamatório e fibrótico que leva à obliteração dos ductos biliares. A suspeita diagnóstica surge em lactentes com icterícia persistente após 2 semanas de vida, fezes acólicas (esbranquiçadas ou claras) e colúria (urina escura). O ultrassom abdominal é o primeiro exame de imagem, podendo revelar achados sugestivos como microvesícula biliar, ausência de vesícula biliar, ou o 'sinal do cordão triangular' (espessamento fibrótico acima da bifurcação da veia porta). O tratamento definitivo é cirúrgico, a portoenterostomia de Kasai, que deve ser realizada idealmente antes dos 60 dias de vida para maximizar a chance de restabelecimento do fluxo biliar. O prognóstico depende da idade no momento da cirurgia; quanto mais cedo, melhor. Mesmo após a Kasai, muitos pacientes necessitarão de transplante hepático na infância ou adolescência.
Os principais sinais de alerta são icterícia persistente após 2 semanas de vida, fezes acólicas (esbranquiçadas ou claras) e colúria (urina escura). O bom estado geral e o crescimento adequado não excluem o diagnóstico.
O ultrassom abdominal é o primeiro exame de imagem e pode revelar achados sugestivos como microvesícula biliar, ausência de vesícula biliar ou o 'sinal do cordão triangular', que é um espessamento fibrótico acima da bifurcação da veia porta.
A diferenciação é feita pela combinação de dados clínicos (fezes acólicas, colúria), laboratoriais (bilirrubina direta elevada) e de imagem (USG). Outras causas de icterícia colestática incluem infecções congênitas, doenças metabólicas e deficiência de alfa-1-antitripsina, que geralmente não cursam com fezes acólicas persistentes.
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