HDG - Hospital Dilson Godinho (MG) — Prova 2015
Lactente de 2 meses apresenta icterícia, desde os primeiros dias de nascimento. Já esteve várias vezes na unidade básica de saúde e sua mãe recebe a recomendação de aplicar banhos de sol diariamente. Ao ser atendido, com febre, na emergência, o médico aprofunda a anamnese e recebe a informação de que as fezes do bebê estão claras e a urina escura. Percebe hepatomegalia. Solicita dosagem de bilirrubinas, que apresentam BT: 10,5 mg%, BI: 5,5 mg% e BD: 5,0 mg%. Qual a hipótese diagnóstica mais plausível e a conduta adequada?
Lactente 2m, icterícia, fezes claras, urina escura, BD ↑ → Atresia de Vias Biliares = Referir URGENTE.
A icterícia prolongada em lactente, associada a fezes claras (acolia fecal), urina escura (colúria) e aumento da bilirrubina direta, é um sinal de alerta para colestase neonatal, sendo a Atresia de Vias Biliares uma das causas mais graves e que exige intervenção cirúrgica precoce.
A atresia de vias biliares (AVB) é uma doença rara, mas grave, que afeta os recém-nascidos, caracterizada pela obstrução progressiva dos ductos biliares extra-hepáticos. É a causa mais comum de icterícia colestática em lactentes e, se não tratada, leva à cirrose biliar e insuficiência hepática terminal. O diagnóstico precoce é crucial, pois a intervenção cirúrgica (procedimento de Kasai) tem melhores resultados quando realizada antes dos 60 dias de vida. A fisiopatologia envolve um processo inflamatório e fibrótico que oblitera os ductos biliares, impedindo o fluxo da bile do fígado para o intestino. Clinicamente, manifesta-se por icterícia prolongada (geralmente após 2 semanas de vida), fezes acólicas (claras ou esbranquiçadas), urina colúrica (escura) e hepatomegalia. Laboratorialmente, há elevação da bilirrubina direta (conjugada), que deve ser sempre investigada. A relação bilirrubina direta/total > 20% ou bilirrubina direta > 1 mg/dL (se BT < 5 mg/dL) ou > 2 mg/dL (se BT > 5 mg/dL) são indicativos de colestase. A conduta diante da suspeita de AVB é a referência imediata a um centro especializado. O diagnóstico definitivo envolve exames como ultrassonografia abdominal, cintilografia hepatobiliar e, por vezes, biópsia hepática e colangiografia intraoperatória. O tratamento é cirúrgico (procedimento de Kasai), que visa restabelecer o fluxo biliar. Mesmo após a cirurgia, muitos pacientes necessitam de transplante hepático em algum momento da vida.
Os principais sinais de alerta incluem icterícia prolongada (além de 14 dias), fezes claras ou esbranquiçadas (acolia fecal), urina escura (colúria) e hepatomegalia.
A elevação da bilirrubina direta (conjugada) indica colestase, um problema no fluxo biliar, e é sempre patológica em qualquer idade. Diferencia-se da icterícia fisiológica, onde predomina a bilirrubina indireta.
Diante da suspeita de atresia de vias biliares, a conduta é referir o lactente urgentemente para um centro terciário especializado para investigação diagnóstica e possível intervenção cirúrgica (procedimento de Kasai).
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