INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma mãe de lactente do sexo masculino, de cor parda, com 45 dias de vida, em aleitamento materno exclusivo, relata que o filho começou a ficar "amarelo" (sic) com cerca de três semanas de vida e que, agora, ela está muito assustada, pois a criança "está mais amarela, a urina está escura e as fezes estão esbranquiçadas" (sic). Ao exame físico, o fígado é palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Exame solicitado por outro médico mostra bilirrubina direta muito aumentada: 21 mg/dL (valor de referência: inferior a 12 mg/dL). O quadro clínico descrito é fortemente sugestivo de:
Icterícia tardia + Acolia + Colúria + BD ↑ → Atresia de Vias Biliares.
A atresia de vias biliares é uma urgência cirúrgica pediátrica; o diagnóstico deve ser rápido para permitir a realização da portoenterostomia de Kasai antes da cirrose biliar.
A atresia de vias biliares (AVB) é uma doença inflamatória progressiva que leva à obliteração dos ductos biliares extra-hepáticos. É a causa mais comum de transplante hepático na infância. O quadro clínico clássico envolve um lactente que desenvolve icterícia persistente, colúria (urina escura por excesso de BD) e acolia fecal (fezes esbranquiçadas por falta de estercobilina). O fígado aumentado e endurecido reflete a colestase crônica e início de fibrose. O manejo rápido é crucial, pois a eficácia da cirurgia de Kasai diminui drasticamente após os 2 meses de idade.
A icterícia fisiológica ocorre por aumento de bilirrubina indireta e regride em 2 semanas. A colestase (como na atresia biliar) apresenta aumento de bilirrubina direta (>1mg/dL), acolia fecal e colúria, persistindo ou surgindo após a 2ª semana.
É a portoenterostomia hepática, procedimento cirúrgico que visa restabelecer o fluxo biliar drenando o parênquima hepático diretamente para o intestino. Deve ser realizada idealmente antes dos 60 dias de vida para melhor prognóstico.
A ultrassonografia pode mostrar o sinal do cordão triangular. A cintilografia biliar mostra ausência de excreção do radiotraçado para o intestino. O padrão-ouro para confirmação é a colangiografia intraoperatória ou biópsia hepática.
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