Atresia Tricúspide: Diagnóstico e Sinais Chave

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 3 meses de vida, cianose central desde o nascimento. Peso atual de 3,5 quilos. Ao exame físico, primeira bulha maior em foco mitral que tricúspide, sopro sistólico em borda esternal esquerda baixa. Ao Raio X, diminuição da circulação pulmonar e aumento de ventrículo esquerdo. Ao ECG, sobrecarga ventricular esquerda com hemibloqueio anterior esquerdo. Pulsos normais. A doença mais provável é:

Alternativas

  1. A) Atresia Tricúspide
  2. B) Transposição das Grandes Artérias
  3. C) Tetralogia de Fallot
  4. D) Atresia pulmonar com septo interventricular íntegro
  5. E) Estenose pulmonar

Pérola Clínica

Atresia Tricúspide → Cianose neonatal + VE sobrecarga + circulação pulmonar ↓ + B1 mitral > tricúspide.

Resumo-Chave

A atresia tricúspide é uma cardiopatia congênita cianótica caracterizada pela ausência da valva tricúspide, resultando em hipoplasia do ventrículo direito. O sangue do átrio direito passa para o átrio esquerdo via forame oval, e o ventrículo esquerdo assume a função de ambos os ventrículos, explicando a sobrecarga ventricular esquerda e o aumento do fluxo pulmonar dependente de um defeito septal ventricular ou canal arterial.

Contexto Educacional

A Atresia Tricúspide é uma cardiopatia congênita cianótica rara, representando cerca de 1-3% de todas as cardiopatias congênitas. É caracterizada pela ausência de comunicação entre o átrio direito e o ventrículo direito, resultando em hipoplasia ou agenesia do VD. A cianose central é um achado precoce e proeminente, geralmente presente desde o nascimento. Fisiopatologicamente, o sangue do átrio direito não pode passar para o ventrículo direito, sendo desviado para o átrio esquerdo através de um forame oval patente ou comunicação interatrial. O ventrículo esquerdo, portanto, recebe todo o retorno venoso sistêmico e pulmonar, tornando-se sobrecarregado. Para que haja fluxo sanguíneo para a circulação pulmonar, é essencial a presença de uma comunicação interventricular (CIV) e/ou um canal arterial patente (PCA). O ECG com sobrecarga ventricular esquerda e hemibloqueio anterior esquerdo, juntamente com a diminuição da trama vascular pulmonar no Raio X, são achados diagnósticos importantes. O tratamento da Atresia Tricúspide é cirúrgico e paliativo, visando otimizar o fluxo pulmonar e sistêmico. As intervenções podem incluir a criação de um shunt sistêmico-pulmonar (ex: Blalock-Taussig) em casos de fluxo pulmonar muito reduzido, seguida por cirurgias de Fontan modificadas em estágios, que redirecionam o fluxo venoso sistêmico diretamente para a artéria pulmonar, bypassando o ventrículo direito hipoplásico. O prognóstico depende da anatomia e da presença de outras anomalias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da Atresia Tricúspide?

A Atresia Tricúspide manifesta-se com cianose central desde o nascimento, sopro sistólico em borda esternal esquerda baixa e, ao exame, a primeira bulha pode ser mais audível em foco mitral do que tricúspide devido à valva tricúspide atrésica.

Como o ECG e o Raio X auxiliam no diagnóstico da Atresia Tricúspide?

O ECG tipicamente mostra sobrecarga ventricular esquerda e hemibloqueio anterior esquerdo, enquanto o Raio X revela diminuição da circulação pulmonar e aumento do ventrículo esquerdo, achados que diferenciam de outras cardiopatias cianóticas.

Qual a fisiopatologia básica da Atresia Tricúspide?

Na Atresia Tricúspide, a ausência da valva impede o fluxo sanguíneo do átrio direito para o ventrículo direito, levando à hipoplasia do VD. O sangue arterial e venoso se misturam no átrio esquerdo, e o VE ejeta para a circulação sistêmica e pulmonar (via CIV ou PCA), causando cianose.

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