Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024
Considere um recém-nascido com cianose e suspeita de doença cardíaca congênita que tem um sopro holossistólico ao longo da borda esternal esquerda. O seu ECG revela desvio do eixo para a esquerda e hipertrofia de VE. Com relação ao diagnóstico mais provável para o caso, assinale a alternativa correta:
Atresia tricúspide = cianose + sopro holossistólico + ECG com desvio do eixo para a esquerda e hipertrofia de VE.
A atresia tricúspide é uma cardiopatia congênita cianótica caracterizada pela ausência da valva tricúspide. Isso impede o fluxo sanguíneo do átrio direito para o ventrículo direito, resultando em hipoplasia do VD e sobrecarga do VE, que se manifesta no ECG como desvio do eixo para a esquerda e hipertrofia de VE.
A atresia tricúspide é uma cardiopatia congênita cianótica rara, caracterizada pela ausência completa da valva tricúspide, impedindo o fluxo sanguíneo direto do átrio direito para o ventrículo direito. Para a sobrevivência, é essencial a presença de comunicações interatriais (forame oval patente ou CIA) para que o sangue venoso sistêmico atinja o lado esquerdo do coração, e uma comunicação interventricular (CIV) para que o sangue oxigenado do ventrículo esquerdo possa irrigar os pulmões. A fisiopatologia central envolve a hipoplasia do ventrículo direito e a sobrecarga do ventrículo esquerdo, que precisa bombear sangue tanto para a circulação sistêmica quanto para a pulmonar (via CIV e artéria pulmonar). Clinicamente, os recém-nascidos apresentam cianose progressiva, que pode ser grave, e um sopro holossistólico, geralmente decorrente da CIV. O ECG é um achado diagnóstico chave, revelando desvio do eixo para a esquerda e hipertrofia de ventrículo esquerdo, o que a diferencia de muitas outras cardiopatias cianóticas. O manejo inicial visa estabilizar o paciente, frequentemente com Prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso aberto e garantir o fluxo pulmonar. O tratamento definitivo é cirúrgico e ocorre em estágios, com procedimentos como a cirurgia de Blalock-Taussig-Shunt (BTS) para aumentar o fluxo pulmonar, seguida por cirurgias de Glenn e Fontan para criar uma circulação univentricular funcional. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço das técnicas cirúrgicas e do cuidado pós-operatório.
A atresia tricúspide causa desvio do eixo para a esquerda no ECG porque o ventrículo direito é hipoplásico e não recebe fluxo sanguíneo direto do átrio direito. Consequentemente, o ventrículo esquerdo assume a maior parte do trabalho cardíaco, resultando em sua hipertrofia e dominância elétrica.
As principais manifestações clínicas da atresia tricúspide incluem cianose, que pode ser grave e progressiva, e um sopro cardíaco, frequentemente holossistólico, resultante de uma comunicação interventricular (CIV) associada. Pode haver também sinais de insuficiência cardíaca congestiva.
O tratamento inicial para um recém-nascido com atresia tricúspide e cianose grave geralmente envolve a administração de Prostaglandina E1 para manter a perviedade do ducto arterioso, garantindo o fluxo sanguíneo pulmonar. Intervenções cirúrgicas paliativas ou corretivas serão necessárias posteriormente.
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