UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
RN, 38 semanas de gestação, apresenta vômitos "biliosos" cerca de 12 horas após iniciar alimentação com leite materno. Exame físico: bom estado geral; afebril; discretamente desidratado; ictérico; abdome distendido, com peristalse aumentada e indolor à palpação. Radiografia simples do abdome: Pode-se afirmar que a hipótese diagnóstica mais provável é:
Vômito bilioso + distensão abdominal importante + múltiplas alças no RN → Atresia Jejunoileal.
A atresia jejunoileal manifesta-se com vômitos biliosos e distensão abdominal progressiva; a radiografia mostra múltiplas alças dilatadas e níveis hidroaéreos, diferente da atresia duodenal.
A atresia jejunoileal é uma das causas mais comuns de obstrução intestinal no recém-nascido. A fisiopatologia envolve acidentes vasculares pré-natais, como volvo, intussuscepção ou herniações, que resultam em interrupção da luz intestinal. O manejo inicial foca na descompressão gástrica com sonda orogástrica calibrosa, estabilização hidroeletrolítica e antibioticoterapia profilática. O tratamento definitivo é cirúrgico, visando a ressecção do segmento atrésico e anastomose primária, sempre que possível. A classificação de Louw e Barnard divide as atresias em tipos (I a IV), sendo o tipo IIIb ('casca de maçã' ou apple-peel) associado a maior morbidade devido ao comprometimento vascular extenso e risco de síndrome do intestino curto.
A principal diferença reside na apresentação clínica e radiológica. Na atresia duodenal, a obstrução é alta, resultando em vômitos biliosos precoces, mas com abdome tipicamente escavado ou pouco distendido, e o raio-X mostra o sinal da 'dupla bolha'. Na atresia jejunoileal, a obstrução é mais distal, levando a uma distensão abdominal significativa e um raio-X com múltiplas alças intestinais dilatadas e níveis hidroaéreos.
O diagnóstico é sugerido pela clínica de vômitos biliosos e distensão abdominal nas primeiras 24-48 horas de vida. A radiografia simples de abdome em posição ortostática é o exame inicial, revelando alças intestinais dilatadas e ausência de gás no reto. O enema opaco pode ser útil para diferenciar de outras causas, como íleo meconial ou doença de Hirschsprung, e para avaliar a patência do cólon (microcólon de desuso).
Diferente da atresia duodenal, que é frequentemente associada a anomalias genéticas (como Síndrome de Down), a atresia jejunoileal é geralmente causada por um insulto vascular isquêmico intrauterino tardio (acidente vascular mesentérico), levando à necrose e reabsorção de um segmento do intestino delgado.
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