Atresia de Esôfago: Tipos e Diagnóstico no Recém-Nascido

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2025

Enunciado

Alexia nasceu de parto normal a termo, gestação sem intercorrências. O peso de nascimento foi 2.800g e a estatura 50 cm. Logo após o nascimento, não foi possível passar a sonda nasogástrica. Foi suspeitado de atresia de esôfago. Em relação à atresia de esôfago, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A atresia de esôfago é uma malformação congênita que geralmente ocorre de forma isolada.
  2. B) Na apresentação clínica mais frequente, o esôfago superior termina em fundo cego e a fístula traqueoesofágica é terminal em relação ao esôfago.
  3. C) Quando a fístula traqueoesofágica está ausente, os cotos proximal e distal do esôfago geralmente estão próximos, facilitando a correção do defeito.
  4. D) A fístula traqueoesofágica em H ligando a traqueia e o esôfago ocorre em 15% dos casos.

Pérola Clínica

RN com sialorreia, engasgos e sonda nasogástrica que não progride → suspeita de atresia de esôfago (tipo C é o mais comum).

Resumo-Chave

A atresia de esôfago tipo C (85% dos casos) cursa com coto esofágico proximal em fundo cego e fístula traqueoesofágica distal. Isso explica a impossibilidade de passar a sonda e o risco de pneumonia aspirativa por refluxo de conteúdo gástrico para a traqueia.

Contexto Educacional

A atresia de esôfago (AE) é uma malformação congênita caracterizada pela descontinuidade do lúmen esofágico, ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 3.500 nascidos vivos. Sua importância clínica reside no diagnóstico precoce para evitar complicações graves como pneumonia aspirativa. Frequentemente está associada a outras anomalias congênitas, notavelmente a associação VACTERL, exigindo uma investigação sistêmica do recém-nascido. A suspeita diagnóstica é primariamente clínica, baseada na tríade de sialorreia, engasgos e falha na progressão da sonda nasogástrica. A confirmação é feita por radiografia de tórax com a sonda posicionada no coto esofágico proximal. A classificação de Gross é a mais utilizada, sendo o tipo C (atresia proximal com fístula traqueoesofágica distal) o mais prevalente, correspondendo a cerca de 85% dos casos. A presença de ar no trato gastrointestinal na radiografia de abdome confirma a comunicação da traqueia com o esôfago distal. O tratamento da atresia de esôfago é cirúrgico e considerado uma urgência neonatal. O manejo pré-operatório é crucial e inclui jejum, posicionamento elevado e aspiração contínua do coto proximal. O prognóstico melhorou significativamente com os avanços na cirurgia e nos cuidados intensivos neonatais, mas ainda depende do peso ao nascer, da presença de anomalias cardíacas graves e da gravidade do quadro respiratório.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da atresia de esôfago no neonato?

Os sinais clássicos incluem sialorreia excessiva (saliva espumosa saindo pela boca e nariz), episódios de tosse, cianose e engasgos durante as tentativas de amamentação, e a impossibilidade de progredir uma sonda nasogástrica além de 10-12 cm da arcada dentária.

Qual a conduta inicial ao suspeitar de atresia de esôfago?

A conduta inicial consiste em manter o recém-nascido em jejum, em decúbito elevado para minimizar o refluxo, e posicionar uma sonda no coto esofágico proximal com aspiração contínua para evitar a aspiração de saliva. O próximo passo é a confirmação radiológica e a avaliação de anomalias associadas antes do tratamento cirúrgico.

Como diferenciar os tipos de atresia de esôfago na radiografia?

Uma radiografia de tórax e abdome pode ajudar. A presença de ar no estômago e alças intestinais sugere a existência de uma fístula traqueoesofágica distal (como no tipo C, o mais comum). Um abdome sem gás (escavado) indica uma atresia sem fístula ou com fístula apenas proximal (tipos A e B).

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