UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Gestante de 24 semanas vem para consulta de rotina pré-natal. A ultrassonografia morfológica evidenciou feto feminino, único, artéria umbilical única e polidrâmnio, sem visibilização de bolha gástrica. O diagnóstico é:
Polidrâmnio + ausência de bolha gástrica fetal na USG → forte suspeita de atresia de esôfago sem fístula.
A atresia de esôfago sem fístula impede a deglutição fetal do líquido amniótico, levando ao polidrâmnio. A ausência de visibilização da bolha gástrica na ultrassonografia reforça o diagnóstico, pois o estômago não é preenchido com líquido.
A atresia de esôfago é uma malformação congênita que se caracteriza pela interrupção da continuidade do esôfago, impedindo a passagem de alimentos e líquidos. Sua incidência é de aproximadamente 1 em 2.500 a 4.500 nascidos vivos, sendo crucial o diagnóstico pré-natal para o planejamento do parto e manejo neonatal. A forma sem fístula traqueoesofágica é menos comum, mas classicamente associada aos achados ultrassonográficos descritos na questão. O diagnóstico pré-natal é frequentemente suspeitado pela ultrassonografia morfológica, que evidencia polidrâmnio e a ausência de visibilização da bolha gástrica fetal. O polidrâmnio ocorre devido à incapacidade do feto de deglutir o líquido amniótico, enquanto a ausência da bolha gástrica reflete a não chegada de líquido ao estômago. A artéria umbilical única é uma anomalia que pode estar associada a outras malformações, incluindo a atresia esofágica, e deve alertar o médico para uma investigação mais aprofundada. O manejo da gestação com diagnóstico de atresia de esôfago envolve acompanhamento rigoroso, aconselhamento parental e planejamento do parto em centro terciário com equipe cirúrgica pediátrica. O prognóstico pós-natal depende da presença de outras malformações associadas e da precocidade do tratamento cirúrgico. A compreensão desses sinais é fundamental para residentes em Ginecologia e Obstetrícia e Pediatria.
Os principais achados são polidrâmnio (excesso de líquido amniótico) e a não visualização ou visualização intermitente da bolha gástrica fetal, indicando a incapacidade do feto de deglutir o líquido amniótico.
O polidrâmnio ocorre porque o feto não consegue deglutir e absorver o líquido amniótico normalmente. Em condições fisiológicas, o feto deglute o líquido, que é absorvido pelo trato gastrointestinal e excretado pelos rins, mantendo o volume em equilíbrio.
A artéria umbilical única é uma anomalia vascular que pode estar associada a outras malformações congênitas, incluindo as do trato gastrointestinal e urinário, aumentando a suspeita de anomalias estruturais quando presente com outros achados.
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