Atresia de Esôfago em RN: Diagnóstico Inicial

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido de termo apresenta salivação abundante e impossibilidade de passagem da sonda orogástrica na sala de parto. A ausculta cardiopulmonar é normal e não se notam outras alterações ao exame físico. Qual é o exame indicado neste momento?

Alternativas

  1. A) Broncoscopia.
  2. B) Tomografia de tórax e abdome com contraste oral.
  3. C) Ultrassonografia de tórax e abdome.
  4. D) Radiografia de abdome.

Pérola Clínica

RN com salivação excessiva + falha passagem sonda orogástrica → suspeitar atresia esofágica.

Resumo-Chave

A impossibilidade de passagem da sonda orogástrica, associada à salivação abundante em um recém-nascido, é um sinal clássico de atresia de esôfago. A radiografia de abdome, neste contexto, é o exame inicial indicado para confirmar a posição da sonda e avaliar a presença de ar no estômago e intestino, o que pode indicar uma fístula traqueoesofágica distal.

Contexto Educacional

A atresia de esôfago é uma malformação congênita grave que se manifesta no período neonatal, caracterizada pela interrupção da continuidade do esôfago. É uma emergência cirúrgica e seu diagnóstico precoce é crucial para o prognóstico do recém-nascido. A incidência é de aproximadamente 1 em 2.500 a 4.500 nascidos vivos. A suspeita clínica surge a partir de sinais como salivação excessiva, engasgos e tosse durante as primeiras tentativas de alimentação, e a incapacidade de passar uma sonda orogástrica até o estômago. O diagnóstico é confirmado pela tentativa de passagem de uma sonda orogástrica, que encontra resistência e se enrola no fundo cego do esôfago proximal. O exame de imagem inicial e mais importante é a radiografia simples de tórax e abdome, com a sonda posicionada. Esta radiografia permite visualizar a sonda enrolada no esôfago superior e avaliar a presença de ar no trato gastrointestinal. A presença de ar no estômago e intestino sugere a existência de uma fístula traqueoesofágica distal, o tipo mais comum. A ausência de ar indica atresia pura ou atresia com fístula proximal. Uma vez diagnosticada, a atresia de esôfago requer manejo imediato, incluindo aspiração contínua da bolsa esofágica para evitar aspiração pulmonar, posicionamento do paciente e preparo para correção cirúrgica. É importante também investigar outras anomalias congênitas associadas, como as da síndrome VACTERL (anomalias Vertebrais, Anais, Cardíacas, Traqueoesofágicas, Renais e dos Membros).

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de atresia de esôfago em um recém-nascido?

Os sinais clássicos incluem salivação abundante, engasgos frequentes, tosse, cianose durante as tentativas de alimentação e, mais importante, a impossibilidade de passar uma sonda orogástrica além de 10-12 cm da rima labial.

Por que a radiografia de abdome é o exame indicado para atresia de esôfago?

A radiografia de abdome, com a sonda orogástrica posicionada, permite visualizar o trajeto da sonda, confirmando a interrupção esofágica. Além disso, a presença ou ausência de ar no estômago e intestino ajuda a determinar a presença e o tipo de fístula traqueoesofágica associada.

Quais são os tipos mais comuns de atresia de esôfago?

O tipo mais comum (85-90%) é a atresia esofágica com fístula traqueoesofágica distal, onde o segmento proximal do esôfago termina em fundo cego e o segmento distal se comunica com a traqueia.

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