MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma gestante de 28 anos, primigesta, com 31 semanas de idade gestacional confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, comparece à consulta de pré-natal queixando-se de crescimento abdominal acelerado nas últimas duas semanas e desconforto respiratório leve ao deitar. Ao exame físico, apresenta altura uterina de 35 cm, compatível com volume uterino acima do esperado para a idade gestacional. Realizou ultrassonografia obstétrica morfológica que revelou feto em crescimento adequado para a idade gestacional, porém com Índice de Líquido Amniótico (ILA) de 27 cm e maior bolsão vertical de 9,5 cm. Durante a avaliação detalhada da anatomia fetal, o examinador relata a impossibilidade de visualizar a câmara gástrica fetal, apesar de observações repetidas durante o exame. Com base nos achados ultrassonográficos e clínicos, a hipótese diagnóstica mais provável para a causa da alteração do líquido amniótico é:
Polidrâmnio + Estômago não visualizado no USG → Suspeitar de Atresia de Esôfago.
A atresia de esôfago impede a deglutição fetal normal do líquido amniótico, resultando em polidrâmnio e na ausência de preenchimento da câmara gástrica (estômago não visualizado), especialmente em casos sem fístula traqueoesofágica distal.
A atresia de esôfago é uma malformação congênita caracterizada pela descontinuidade do esôfago. O diagnóstico pré-natal baseia-se em sinais indiretos, sendo o polidrâmnio (ILA > 24 cm ou maior bolsão > 8 cm) o mais comum, presente em aproximadamente 60% dos casos. A combinação de polidrâmnio com a não visualização da bolha gástrica em exames repetidos eleva significativamente a suspeita clínica. Fisiopatologicamente, o feto é incapaz de reciclar o líquido amniótico. É fundamental realizar uma avaliação morfológica detalhada, pois a atresia de esôfago está frequentemente associada a outras anomalias, como as do complexo VACTERL (Vertebral, Anal, Cardíaca, Traqueoesofágica, Renal e de Membros). O manejo pós-natal imediato exige evitar a aspiração e planejar a correção cirúrgica precoce.
O líquido amniótico é mantido em equilíbrio dinâmico principalmente pela produção de urina fetal e pela deglutição fetal. A partir do segundo trimestre, a deglutição é a principal via de reabsorção do líquido. Na atresia de esôfago, existe uma interrupção mecânica que impede o líquido de chegar ao estômago e intestino para ser absorvido. Esse acúmulo progressivo no saco amniótico resulta em polidrâmnio, que clinicamente se manifesta como aumento da altura uterina e desconforto materno.
Na atresia de esôfago, o achado clássico é a não visualização da câmara gástrica (estômago) associada ao polidrâmnio. Já na atresia duodenal, o estômago é visualizado e geralmente está dilatado, formando, junto com a porção proximal do duodeno, o sinal da 'dupla bolha'. Ambas causam polidrâmnio, mas a presença ou ausência da bolha gástrica é o divisor de águas para o diagnóstico diferencial topográfico da obstrução.
Sim. Em cerca de 90% dos casos de atresia de esôfago, existe uma fístula traqueoesofágica distal. Nesses casos, o líquido amniótico pode passar da traqueia para o esôfago distal através da fístula, permitindo que o estômago seja visualizado no ultrassom, o que torna o diagnóstico pré-natal mais difícil. A ausência persistente da câmara gástrica, como no caso descrito, sugere fortemente uma atresia sem fístula ou com fístula apenas proximal.
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