Atresia de Esôfago: Diagnóstico e Anomalias Associadas

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023

Enunciado

Recém-nascido masculino é admitido na unidade de tratamento intensivo, oriundo do centro obstétrico, por apresentar quadro de salivação aerada em grande quantidade, impossibilidade de progressão da sonda orogástrica até o estômago e piora gradual da condição respiratória (episódios de cianose). Nos radiogramas das regiões cervical, torácica e abdominal, foi evidenciada a presença de um coto esofágico proximal dilatado, terminando em fundo cego na altura do corpo da segunda (2ª) vértebra torácica com a ponta da sonda de drenagem posicionada no fundo desse coto, e a presença de ar em topografia do estômago e intestinos. Considerando a principal hipótese diagnóstica, a taxa de mortalidade está diretamente relacionada a anomalias associadas, particularmente a defeitos _______________ e anormalidades _______________.

Alternativas

  1. A) renais - intestinais
  2. B) cardíacos - intestinais
  3. C) cardíacos - cromossômicas
  4. D) pulmonares - cromossômicas

Pérola Clínica

Atresia de esôfago: alta mortalidade associada a defeitos cardíacos e anormalidades cromossômicas.

Resumo-Chave

A atresia de esôfago, frequentemente associada à fístula traqueoesofágica, é uma malformação congênita grave. Sua mortalidade está diretamente ligada à presença e gravidade de outras anomalias congênitas, sendo as cardíacas e cromossômicas as mais impactantes no prognóstico do recém-nascido.

Contexto Educacional

A atresia de esôfago é uma malformação congênita grave que se manifesta no período neonatal, caracterizada pela interrupção da continuidade do esôfago. Frequentemente, está associada a uma fístula traqueoesofágica, que permite a passagem de ar para o trato gastrointestinal e de conteúdo gástrico para as vias aéreas. A suspeita diagnóstica surge com sinais como salivação excessiva, engasgos e cianose durante a alimentação, e a impossibilidade de passar uma sonda orogástrica até o estômago. O diagnóstico é confirmado por radiografia, que evidencia a sonda enrolada no coto esofágico superior e a presença de ar no abdome (indicando fístula). No entanto, a complexidade da atresia de esôfago reside nas anomalias congênitas associadas, que ocorrem em cerca de 50% dos casos e são o principal determinante da mortalidade. A associação VACTERL é um mnemônico útil para lembrar as malformações mais comuns: Vertebrais, Anais, Cardíacas, Traqueoesofágicas (a própria atresia), Renais e dos Membros. Entre as anomalias associadas, os defeitos cardíacos congênitos e as anormalidades cromossômicas (como a Trissomia do 18 ou 21) são os que mais impactam a taxa de mortalidade. Portanto, a avaliação completa do recém-nascido com atresia de esôfago deve incluir ecocardiograma, ultrassonografia renal e cariótipo, além de outras investigações conforme a necessidade. O tratamento é cirúrgico, mas o prognóstico depende em grande parte da correção bem-sucedida das anomalias associadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da atresia de esôfago em recém-nascidos?

Os sinais clássicos incluem salivação excessiva e aerada, engasgos frequentes, tosse, cianose durante as tentativas de alimentação e a impossibilidade de progressão de uma sonda orogástrica até o estômago. A presença de ar no estômago e intestinos em radiografia sugere fístula traqueoesofágica associada.

Qual a importância da associação VACTERL na atresia de esôfago?

A associação VACTERL é um conjunto de anomalias congênitas que podem ocorrer em conjunto com a atresia de esôfago (V-vertebrais, A-anais, C-cardíacas, TE-traqueoesofágicas, R-renais, L-dos membros). A identificação dessas anomalias é crucial para o manejo multidisciplinar e para determinar o prognóstico do paciente, sendo as cardíacas e cromossômicas as mais impactantes na mortalidade.

Como o diagnóstico de atresia de esôfago é confirmado e qual a conduta inicial?

O diagnóstico é fortemente sugerido pela falha na passagem da sonda orogástrica e confirmado por radiografia, que mostra a sonda enrolada no coto esofágico proximal e, se houver fístula, ar no trato gastrointestinal. A conduta inicial envolve manter o recém-nascido em decúbito elevado, aspiração contínua do coto esofágico e avaliação para outras anomalias antes da correção cirúrgica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo