Atresia de Esôfago em RN: Diagnóstico e Manejo

UFAL/HUPAA - Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (AL) — Prova 2021

Enunciado

Recém-nascido a termo, 38 semanas, apresentando dificuldade na amamentação, vômitos logo após as tentativas do aleitamento com impossibilidade de progressão de sonda esofagogástrica. Foi submetido ao exame radiológico contrastado abaixo. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Estenose hipertrófica de piloro.
  2. B) Atresia Duodenal.
  3. C) Atresia de esôfago sem fístula distal.
  4. D) Atresia de esôfago com fístula distal.

Pérola Clínica

RN com vômitos e impossibilidade de passar SNG → suspeitar atresia de esôfago.

Resumo-Chave

A atresia de esôfago sem fístula distal (Tipo A) é caracterizada pela interrupção completa do esôfago, impedindo a passagem de alimentos e de sonda nasogástrica. A ausência de fístula traqueoesofágica distal resulta em um abdome sem gás nas radiografias, pois o ar não consegue chegar ao trato gastrointestinal.

Contexto Educacional

A atresia de esôfago é uma malformação congênita grave que afeta o trato gastrointestinal superior, caracterizada pela interrupção da continuidade do esôfago. Sua incidência é de aproximadamente 1 em 2.500 a 4.500 nascidos vivos. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações respiratórias graves, como aspiração pulmonar, e para garantir a nutrição adequada do recém-nascido. A fisiopatologia envolve uma falha no desenvolvimento embriológico do esôfago e da traqueia. Clinicamente, o recém-nascido apresenta sialorreia excessiva, engasgos, tosse e cianose durante as tentativas de alimentação, além da incapacidade de progredir uma sonda nasogástrica. A radiografia simples de tórax e abdome com a sonda posicionada é o método diagnóstico inicial, mostrando a sonda enrolada no esôfago superior e, no caso de atresia sem fístula (Tipo A), um abdome sem gás. O tratamento é cirúrgico, visando restabelecer a continuidade do esôfago. O prognóstico depende da presença de outras malformações congênitas associadas (síndrome VACTERL), do peso ao nascer e da distância entre os cotos esofágicos. O manejo pré-operatório inclui aspiração contínua do coto esofágico superior para evitar aspiração e suporte nutricional.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da atresia de esôfago em recém-nascidos?

Os principais sinais incluem sialorreia excessiva, dificuldade respiratória, engasgos, vômitos após as tentativas de alimentação e, classicamente, a impossibilidade de passar uma sonda nasogástrica.

Como é feito o diagnóstico de atresia de esôfago?

O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela impossibilidade de passagem da sonda e confirmado por radiografia com a sonda enrolada no esôfago. Exames contrastados podem ser usados, mas com cautela.

Qual a diferença entre atresia de esôfago com e sem fístula traqueoesofágica?

Na atresia com fístula distal, há comunicação entre o esôfago distal e a traqueia, permitindo a entrada de ar no estômago e abdome. Na atresia sem fístula, o abdome é "gás-less" na radiografia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo