Atresia de Esôfago Neonatal: Diagnóstico e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Gestante, com 30 anos, primigesta, previamente hígida, realizou 06 consultas de pré-natal. No 3º trimestre foi observado polidrâmnio (ILA de 26 cm) em exame de ultrassonografia. Com 41 semanas de idade gestacional foi submetida a parto cesáreo, devido a falha de indução. Bolsa rota no ato, com líquido claro com grumos. Recém-nascido (RN) do sexo masculino, hipotônico e sem choro, imediatamente após a extração. Realizado o clampeamento imediato do cordão umbilical, foi levado ao berço aquecido, secado e estimulado, posicionado e foram aspiradas vias aéreas superiores. Apresentava-se, em seguida, com frequência cardíaca de 50 bpm e em apneia. Após as medidas de reanimação neonatal e a estabilização em sala de parto, o RN foi encaminhado para o alojamento conjunto. Com 1 hora de vida, apresentou episódio de cianose central, durante amamentação. RN foi reavaliado e, ao exame físico, foi observada taquipneia, com tiragem diafragmática, associada a importante sialorreia. Assinale quais procedimentos deverão ser realizados para confirmar a principal hipótese diagnóstica. 

Alternativas

  1. A) Intubação orotraqueal, seguida de raio X de tórax. 
  2. B) Oximetria de pulso e ecocardiograma. 
  3. C) Glicemia capilar e triagem neonatal para doenças metabólicas. 
  4. D) Passagem de sonda orogástrica, seguida de raio-X de tórax e abdome. 

Pérola Clínica

RN com polidrâmnio pré-natal + sialorreia + desconforto respiratório → suspeitar atresia de esôfago.

Resumo-Chave

A sialorreia excessiva e o desconforto respiratório em um recém-nascido, especialmente com histórico de polidrâmnio, são sinais clássicos de atresia de esôfago com ou sem fístula traqueoesofágica. A passagem de sonda orogástrica é o método diagnóstico inicial para confirmar a impossibilidade de progressão, seguida de radiografia para localizar a sonda e avaliar a presença de ar no abdome.

Contexto Educacional

A atresia de esôfago (AE) é uma malformação congênita grave, caracterizada pela interrupção da continuidade do esôfago, frequentemente associada a uma fístula traqueoesofágica (FTE). Sua incidência é de aproximadamente 1 em 3.500 nascidos vivos, sendo a forma mais comum a atresia esofágica com fístula distal (tipo C). O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações respiratórias e nutricionais, sendo um tema de grande relevância em pediatria e cirurgia pediátrica para residentes. A fisiopatologia envolve a falha na recanalização do esôfago durante o desenvolvimento embrionário. A suspeita diagnóstica surge no pré-natal com a detecção de polidrâmnio e no pós-natal com sinais como sialorreia profusa, engasgos, tosse e desconforto respiratório, especialmente após tentativas de alimentação. O diagnóstico é confirmado pela impossibilidade de passagem de sonda orogástrica e por radiografia de tórax e abdome que mostra a sonda enrolada no esôfago proximal e, em casos de fístula, ar no trato gastrointestinal. O tratamento da atresia de esôfago é cirúrgico, visando restabelecer a continuidade do trato digestório e fechar a fístula, se presente. O prognóstico depende da presença de outras malformações congênitas (síndrome VACTERL), peso ao nascer e distância entre os cotos esofágicos. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais, realizar a investigação inicial e estabilizar o paciente antes da intervenção cirúrgica, que é uma emergência pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de atresia de esôfago em recém-nascidos?

Os principais sinais incluem polidrâmnio materno pré-natal, sialorreia excessiva (baba constante), engasgos frequentes, tosse e desconforto respiratório, especialmente durante as tentativas de alimentação. A incapacidade de passar uma sonda orogástrica além de 10-12 cm é um achado diagnóstico chave.

Qual a conduta inicial para confirmar a suspeita de atresia de esôfago?

A conduta inicial é a tentativa de passagem de uma sonda orogástrica calibrosa (nº 8 ou 10) até o estômago. Se a sonda não progredir e retornar, a suspeita é reforçada. Em seguida, um raio-X de tórax e abdome com a sonda posicionada ajuda a confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de atresia e a presença de fístula traqueoesofágica.

Por que o polidrâmnio está associado à atresia de esôfago?

O polidrâmnio ocorre porque o feto não consegue deglutir o líquido amniótico adequadamente devido à interrupção da continuidade do esôfago. A deglutição fetal é um mecanismo importante para a regulação do volume de líquido amniótico, e sua falha leva ao acúmulo excessivo.

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