Atresia de Esôfago: Conduta Imediata na Sala de Parto

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Paciente recém-nascida, apresenta tosse e baixa aceitação da amamentação na sala de parto. A\ncriança nasceu com baixo peso. Ao exame físico, taquipneia leve, abdome distendido e indolor à\npalpação.\n\nIndique a conduta mais adequada que deve ser realizada na sala de parto:

Alternativas

  1. A) Realizar a amamentação com o recém-nascido em ortostase.
  2. B) Interromper a amamentação, passar sonda nasogástrica e realizar radiografia de tórax.
  3. C) Realizar intubação orotraqueal e suporte ventilatório.
  4. D) Observar e reiniciar a amamentação em uma hora.

Pérola Clínica

RN com salivação/tosse + abdome distendido → Atresia de esôfago com fístula distal (SNG + RX).

Resumo-Chave

A suspeita de atresia de esôfago no recém-nascido exige interrupção imediata da dieta e tentativa de passagem de sonda nasogástrica para confirmação diagnóstica e prevenção de aspiração.

Contexto Educacional

A atresia de esôfago é uma emergência cirúrgica neonatal decorrente de uma falha na septação do intestino anterior primitivo entre a 4ª e 6ª semana de gestação. A forma mais frequente (85% dos casos) é a atresia com fístula traqueoesofágica distal.\n\nO diagnóstico precoce na sala de parto é vital para prevenir a principal causa de morbimortalidade: a pneumonia química por aspiração de saliva ou refluxo gástrico. O achado de abdome distendido é um marcador clínico crucial, pois diferencia a atresia isolada (onde o abdome é escavado por falta de ar no TGI) da atresia com fístula distal. O manejo inicial foca na proteção da via aérea e estabilização clínica antes da correção cirúrgica definitiva.

Perguntas Frequentes

Quais sinais sugerem atresia de esôfago com fístula distal?

A tríade clássica de atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal (Tipo C de Gross, a mais comum) inclui: 1) Sialorreia excessiva (o RN não consegue deglutir a própria saliva); 2) Episódios de engasgo, tosse e cianose durante as tentativas de alimentação; 3) Abdome distendido (timpânico), devido à passagem de ar da traqueia para o estômago através da fístula. O baixo peso ao nascer é frequentemente associado a essa malformação, que pode fazer parte da associação VACTERL.

Como é feito o diagnóstico definitivo na sala de parto?

O diagnóstico inicial é clínico e confirmado pela impossibilidade de progressão de uma sonda nasogástrica ou orogástrica calibrosa (geralmente número 8 ou 10). A sonda encontra resistência e 'enrola' na bolsa esofágica superior (geralmente a 10-12 cm da rima labial). A confirmação radiológica é feita com uma radiografia simples de tórax e abdome, mostrando a sonda parada no mediastino superior e a presença de gás no estômago/intestino, o que confirma a existência de uma fístula distal.

Qual o manejo imediato após a suspeita diagnóstica?

Uma vez suspeitada a atresia de esôfago, a conduta imediata consiste em: 1) Interromper qualquer oferta oral (NPO) para evitar aspiração; 2) Manter a bolsa esofágica superior descompressa através de uma sonda de aspiração contínua ou intermitente; 3) Posicionar o RN em decúbito elevado (30-45 graus) para reduzir o refluxo de suco gástrico através da fístula para os pulmões; 4) Iniciar hidratação venosa e encaminhar para centro de cirurgia pediátrica.

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