Atresia de Esôfago: Diagnóstico em Neonato com Polidrâmnio

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Neonato prematuro de 34 semanas de gestação apresentou nas primeiras 24 horas após o nascimento, quadro de tosse, cianose, episódios de sufocamento e secreção salivar aerada. Na avaliação pré-natal tinha relato de polidrâmnio. Assinale a alternativa que corresponde ao diagnóstico mais provável:

Alternativas

  1. A) Atresia de esôfago com fístula distal.
  2. B) Enfisema lobar congênito.
  3. C) Hérnia diafragmática.
  4. D) Refluxo gastroesofágico.

Pérola Clínica

Neonato + polidrâmnio pré-natal + tosse/cianose/sufocamento/saliva aerada pós-natal → Atresia de Esôfago com Fístula.

Resumo-Chave

A tríade de polidrâmnio pré-natal, seguido por tosse, cianose, sufocamento e salivação excessiva (aerada) em neonato, especialmente prematuro, é altamente sugestiva de atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal. A incapacidade de deglutir o líquido amniótico causa polidrâmnio, e a comunicação com a traqueia leva a aspiração e sintomas respiratórios.

Contexto Educacional

A atresia de esôfago (AE) é uma malformação congênita caracterizada pela interrupção da continuidade do esôfago, frequentemente associada a uma fístula traqueoesofágica (FTE). A forma mais comum (tipo III ou C) é a atresia esofágica com fístula distal, onde o segmento proximal do esôfago termina em fundo cego e o segmento distal se comunica com a traqueia. Sua incidência é de aproximadamente 1 em 3.000 a 4.500 nascidos vivos. O quadro clínico é classicamente precedido por polidrâmnio na avaliação pré-natal, devido à incapacidade do feto de deglutir o líquido amniótico. Após o nascimento, o neonato apresenta salivação excessiva e aerada, tosse, cianose e episódios de sufocamento, especialmente durante as tentativas de alimentação. A presença da fístula distal permite que o ar do trato respiratório entre no estômago e que o conteúdo gástrico reflua para a traqueia, causando aspiração e desconforto respiratório. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado pela impossibilidade de passar uma sonda nasogástrica ou orogástrica para o estômago, que se enrola no fundo cego do esôfago proximal. Radiografias simples de tórax e abdome podem mostrar a sonda enrolada e ar no estômago (indicando fístula distal). O tratamento é cirúrgico, visando a correção da atresia e o fechamento da fístula.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da atresia de esôfago em recém-nascidos?

Os sinais clássicos incluem salivação excessiva e aerada, tosse, cianose e engasgos ou sufocamento durante as tentativas de alimentação. A impossibilidade de passar uma sonda nasogástrica para o estômago é um achado diagnóstico importante.

Por que o polidrâmnio é um achado comum na atresia de esôfago?

O polidrâmnio ocorre porque o feto não consegue deglutir e absorver o líquido amniótico, que se acumula no útero. A atresia de esôfago impede a passagem do líquido para o trato gastrointestinal fetal.

Como a fístula traqueoesofágica distal contribui para o quadro clínico?

A fístula traqueoesofágica distal permite que o ar do trato respiratório entre no estômago, causando distensão abdominal, e que o conteúdo gástrico reflua para a traqueia, levando a aspiração pulmonar, tosse e cianose.

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