Atresia de Esôfago com Fístula Distal: Diagnóstico e Conduta

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Recém-nascido a termo, peso de 3.200g, nasce de parto vaginal sem intercorrências após gestação marcada por polidrâmnio moderado diagnosticado no terceiro trimestre. Nas primeiras horas de vida, no alojamento conjunto, a equipe de enfermagem observa que o neonato apresenta salivação excessiva e constante (sialorreia), necessitando de aspirações frequentes. Durante a primeira tentativa de amamentação, o lactente apresentou tosse súbita, engasgo e cianose central, que melhoraram após a suspensão da dieta e aspiração de vias aéreas. Ao exame físico atual, o RN encontra-se em bom estado geral, eupneico em repouso, com murmúrio vesicular simétrico e sem ruídos adventícios. O abdome apresenta-se globoso, discretamente distendido e timpanizado à percussão. Diante do quadro clínico apresentado, qual é a principal hipótese diagnóstica e o achado esperado na radiografia simples de tórax e abdome após a progressão de sonda orogástrica?

Alternativas

  1. A) Atresia de esôfago isolada (sem fístula); interrupção da sonda em fundo de saco cego e ausência completa de gás no abdome.
  2. B) Atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal; interrupção da sonda em região cervical e presença de ar no estômago.
  3. C) Fenda laríngea tipo I; progressão normal da sonda até o estômago e parênquima pulmonar com infiltrado aspirativo bilateral.
  4. D) Hérnia diafragmática congênita de Bochdalek; presença de níveis hidroaéreos em hemitórax esquerdo e abdome escavado.

Pérola Clínica

Sialorreia + Engasgo na amamentação + Ar no estômago = Atresia de Esôfago com Fístula Distal.

Resumo-Chave

A presença de ar no trato gastrointestinal em um RN com atresia de esôfago (sonda que não progride) confirma a existência de uma fístula comunicando a traqueia com o esôfago distal.

Contexto Educacional

A atresia de esôfago é uma emergência cirúrgica neonatal. O quadro clássico envolve um RN que apresenta sialorreia excessiva e cianose ou tosse ao tentar mamar devido à aspiração de saliva ou leite. O diagnóstico é confirmado pela impossibilidade de progressão de uma sonda orogástrica calibrosa (parada geralmente a 10-12 cm da arcada dentária). A diferenciação entre os tipos de atresia é feita pela presença ou ausência de ar no abdome. Se houver ar, há fístula distal (Tipo C). Se o abdome estiver 'mudo' (sem gás), trata-se de atresia isolada (Tipo A). O tratamento definitivo é a toracotomia ou toracoscopia para ligadura da fístula e anastomose primária do esôfago, visando restabelecer a continuidade do trato digestivo.

Perguntas Frequentes

Qual a classificação mais comum da atresia de esôfago?

A classificação de Gross mais frequente é o Tipo C, que corresponde à atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal, ocorrendo em cerca de 85% dos casos. Clinicamente, o RN apresenta sialorreia e engasgos, mas o abdome é globoso/distendido porque o ar da respiração passa da traqueia para o estômago através da fístula. Na radiografia, observa-se a sonda orogástrica enrolada no fundo de saco cego superior e presença de gás gástrico/intestinal.

Por que o polidrâmnio está associado à atresia de esôfago?

O feto normalmente deglute o líquido amniótico, que é absorvido pelo trato gastrointestinal. Na atresia de esôfago, a interrupção da luz esofágica impede essa deglutição efetiva, levando ao acúmulo de líquido na cavidade uterina (polidrâmnio). É um sinal ultrassonográfico importante no pré-natal que deve alertar para malformações do trato digestivo superior ou distúrbios neurológicos fetais.

Quais malformações associadas devem ser pesquisadas?

A atresia de esôfago frequentemente faz parte da associação VACTERL: Vertebrais, Anais (atresia), Cardíacas, Traqueoesofágicas (fístula), Renais e de Membros (Limb). Portanto, ao diagnosticar uma atresia, é mandatório realizar ecocardiograma, ultrassonografia de rins e vias urinárias, além de avaliação da coluna vertebral e do ânus para identificar outras anomalias que podem impactar o prognóstico.

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