Atresia Esofágica: Diagnóstico em Recém-Nascidos

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Você recebe um recém-nascido em sala de parto com dificuldade respiratória. Paciente nasceu a termo, parto sem intercorrência. Durante o pré-natal, o ultrassom obstétrico evidenciou polidrâmnio. Ao exame fisico do recém-nascido foi observado a presença de líquido abundante em cavidade oral. Qual a suspeita diagnóstica desse bebê?

Alternativas

  1. A) Hérnia diafragmática
  2. B) Aspiração de mecônio
  3. C) Atresia esofágica com ou sem fistula traqueoesofágica
  4. D) Síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido

Pérola Clínica

Polidrâmnio + RN com sialorreia/dificuldade respiratória → suspeitar atresia esofágica.

Resumo-Chave

A atresia esofágica impede a deglutição do líquido amniótico pelo feto, resultando em polidrâmnio no pré-natal. No pós-natal, o RN apresenta sialorreia (saliva abundante na boca) e dificuldade respiratória devido à aspiração de saliva ou, se houver fístula traqueoesofágica, de conteúdo gástrico.

Contexto Educacional

A atresia esofágica é uma malformação congênita grave do trato gastrointestinal, caracterizada pela interrupção da continuidade do esôfago. Frequentemente, está associada a uma fístula traqueoesofágica (FTE), que é uma comunicação anormal entre o esôfago e a traqueia. Essa condição é uma emergência neonatal e seu diagnóstico precoce é crucial para o prognóstico do recém-nascido. No período pré-natal, a principal pista para a atresia esofágica é a presença de polidrâmnio no ultrassom obstétrico. Isso ocorre porque o feto, não conseguindo deglutir o líquido amniótico devido à obstrução esofágica, leva ao seu acúmulo. Ao nascimento, o recém-nascido tipicamente apresenta sialorreia abundante (saliva espumosa na boca), engasgos e tosse, especialmente durante as tentativas de alimentação. A dificuldade respiratória pode ser exacerbada pela aspiração de saliva ou, na presença de FTE, pela aspiração de conteúdo gástrico para as vias aéreas. O diagnóstico é confirmado pela impossibilidade de passar uma sonda nasogástrica ou orogástrica até o estômago, que se enrola no fundo cego do esôfago. Radiografias simples de tórax e abdome com a sonda posicionada podem mostrar a sonda enrolada e, se houver ar no estômago, sugerir a presença de uma fístula traqueoesofágica distal. O manejo é cirúrgico, e a estabilização do paciente na sala de parto é prioritária, incluindo aspiração contínua da bolsa esofágica e posicionamento adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de atresia esofágica em um recém-nascido?

Os sinais incluem polidrâmnio no pré-natal, sialorreia (saliva abundante na boca), engasgos, tosse, cianose durante as tentativas de alimentação e dificuldade respiratória progressiva.

Por que o polidrâmnio está associado à atresia esofágica?

O polidrâmnio ocorre porque o feto não consegue deglutir e absorver o líquido amniótico, que se acumula no útero. A atresia esofágica impede essa deglutição normal.

Como é feito o diagnóstico de atresia esofágica?

A suspeita clínica é confirmada pela impossibilidade de passar uma sonda nasogástrica ou orogástrica além de 10-12 cm da narina/boca. Radiografias com a sonda enrolada no esôfago ou com ar no estômago (indicando fístula) auxiliam no diagnóstico.

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