SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020
O neonatologista é chamado para avaliar um recém-nascido com 16 horas de vida no alojamento conjunto. A mãe relata que o bebê apresentou vômitos amarelos 3 vezes. Nasceu de parto normal, com Apgar 9/10, peso de 2.490 g e idade gestacional pelo Capurro de 37 semanas. A mãe é primigesta, fez duas consultas de pré-natal, pois descobriu a gravidez tardiamente, mas nega qualquer intercorrência na gestação. Ao exame físico, o recém-nascido está ativo, hidratado, com boa perfusão, abdome leve- mente distendido, não eliminou mecônio. O médico solicita uma radiografia de abdome mostrada abaixo.Dentre as alternativas abaixo, a hipótese diagnóstica mais provável é:
RN com vômitos biliosos e distensão abdominal → suspeitar obstrução intestinal alta, como atresia de duodeno (dupla bolha no RX).
Vômitos biliosos em neonatos são sempre um sinal de alerta para obstrução intestinal e devem ser investigados imediatamente. A atresia de duodeno é uma causa comum de obstrução alta, frequentemente associada à Síndrome de Down, e o diagnóstico radiológico clássico é a "dupla bolha".
A atresia de duodeno é uma malformação congênita que causa obstrução intestinal alta em recém-nascidos, com uma incidência de aproximadamente 1 em 5.000 a 10.000 nascidos vivos. É clinicamente importante devido à sua associação com outras anomalias congênitas, como a Síndrome de Down (presente em 30-50% dos casos) e cardiopatias congênitas, exigindo uma avaliação completa do neonato. Fisiopatologicamente, a atresia de duodeno resulta de uma falha na recanalização do lúmen duodenal durante o desenvolvimento embrionário. O diagnóstico é frequentemente suspeitado pela presença de polidrâmnio no pré-natal e confirmado no pós-natal por vômitos biliosos precoces e o achado radiológico clássico de "dupla bolha" no raio-X de abdome. É crucial suspeitar dessa condição em qualquer neonato com vômitos biliosos. O tratamento definitivo é cirúrgico, geralmente uma duodenoduodenostomia. O prognóstico é geralmente bom se não houver outras anomalias graves. O manejo pré-operatório inclui descompressão gástrica com sonda orogástrica, hidratação venosa e correção de distúrbios eletrolíticos. A vigilância para complicações pós-operatórias, como íleo paralítico prolongado e dismotilidade, é essencial.
Os principais sinais são vômitos biliosos (amarelos ou esverdeados) que se iniciam nas primeiras 24-48 horas de vida, distensão abdominal leve ou ausente (se a obstrução for alta) e ausência de eliminação de mecônio.
O achado radiológico clássico é o sinal da "dupla bolha", que representa a dilatação do estômago e da primeira porção do duodeno, separados pelo piloro.
A atresia de duodeno causa obstrução alta, com vômitos biliosos precoces e distensão abdominal mínima. Outras causas, como atresia jejuno-ileal ou má rotação, podem apresentar distensão mais pronunciada e vômitos biliosos mais tardios, dependendo do nível da obstrução.
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