IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Neonato do sexo masculino, de um dia de vida, portador de trissomia do cromossomo 21, nascido de parto normal, encontra-se em berçário. Apresenta episódios de vômitos biliosos meia hora após as mamadas, não tendo eliminado mecônio até o momento. A mãe refere não ter realizado pré-natal adequadamente, relatando ter sido informada sobre aumento do volume de líquido amniótico em uma das ultrassonografias realizadas. Ao exame físico, o neonato encontra-se em bom estado geral, levemente desidratado, com distensão em andar superior do abdome, flácido e indolor. Qual é a principal hipótese diagnóstica para este paciente?
RN com Trissomia 21 + vômitos biliosos precoces + polidrâmnio materno = Atresia duodenal.
A atresia duodenal é uma obstrução intestinal alta congênita, causando vômitos biliosos precoces. Sua forte associação com a Trissomia do 21 e a história de polidrâmnio (devido à incapacidade do feto de deglutir líquido amniótico) são pistas diagnósticas clássicas.
A atresia duodenal é uma das principais causas de obstrução intestinal alta no período neonatal, caracterizada pela ausência de lúmen no duodeno. Sua incidência é de aproximadamente 1 para cada 5.000 a 10.000 nascidos vivos, com uma forte associação com outras anomalias congênitas, notavelmente a Trissomia do 21 (Síndrome de Down), presente em cerca de 30% dos casos. Fisiopatologicamente, a condição resulta de uma falha na recanalização do duodeno durante o desenvolvimento embrionário. Clinicamente, a suspeita diagnóstica surge no pré-natal pela presença de polidrâmnio, causado pela dificuldade do feto em deglutir o líquido amniótico. Após o nascimento, o quadro clássico se instala nas primeiras 24 a 48 horas de vida, com vômitos biliosos (pois a obstrução é geralmente distal à ampola de Vater), distensão do abdome superior e pouca ou nenhuma eliminação de mecônio. O diagnóstico é confirmado por uma radiografia simples de abdome, que revela o patognomônico 'sinal da dupla bolha', representando o ar distendendo o estômago e o bulbo duodenal. O manejo inicial é focado na estabilização clínica do neonato, com jejum, descompressão gástrica por sonda e correção hidroeletrolítica. O tratamento definitivo é a correção cirúrgica, através da duodenoduodenostomia, que consiste em anastomosar o duodeno proximal ao distal, contornando a área atrésica. O prognóstico após a cirurgia é geralmente excelente, embora dependa da presença de outras comorbidades associadas.
Os sinais cardinais são vômitos biliosos que iniciam nas primeiras 24-48 horas de vida, distensão epigástrica (andar superior do abdome) com o restante do abdome escavado, e ausência ou eliminação escassa de mecônio.
A conduta inicial inclui manter o neonato em jejum, instalar uma sonda nasogástrica para descompressão gástrica e iniciar hidratação venosa para correção de distúrbios hidroeletrolíticos. O diagnóstico é confirmado por radiografia de abdome e o tratamento definitivo é cirúrgico.
A atresia duodenal causa obstrução alta, com distensão apenas epigástrica e o clássico 'sinal da dupla bolha' na radiografia. Obstruções mais baixas, como na Doença de Hirschsprung ou atresia ileal, cursam com distensão abdominal mais generalizada e vômitos mais tardios.
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