HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
Um neonato apresenta vômitos biliosos persistentes, sem distensão abdominal. A radiografia de abdome mostra o sinal da dupla bolha. O diagnóstico mais provável é:
Neonato com vômitos biliosos + sinal da dupla bolha → Atresia Duodenal.
O sinal da dupla bolha na radiografia abdominal de um neonato é patognomônico de atresia duodenal, representando a dilatação do estômago e da primeira porção do duodeno. Vômitos biliosos em neonatos sempre indicam obstrução distal à ampola de Vater e requerem investigação urgente.
A atresia duodenal é uma das causas mais comuns de obstrução intestinal alta em neonatos, com uma incidência de aproximadamente 1 em 5.000 a 10.000 nascidos vivos. É frequentemente associada a outras anomalias congênitas, como a Síndrome de Down (em cerca de 30% dos casos), cardiopatias e anomalias renais. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações como desidratação e distúrbios eletrolíticos. A fisiopatologia envolve uma falha na recanalização do lúmen duodenal durante a 8ª a 10ª semana de gestação. O diagnóstico é fortemente sugerido pela presença de polidrâmnio na ultrassonografia pré-natal e, após o nascimento, pelos vômitos biliosos e pelo clássico "sinal da dupla bolha" na radiografia simples de abdome. A ausência de distensão abdominal é um achado importante que a diferencia de obstruções mais distais. O tratamento definitivo é cirúrgico, geralmente uma duodenoduodenostomia, que visa restabelecer a continuidade do trato gastrointestinal. O prognóstico é geralmente excelente com o tratamento adequado, mas a presença de anomalias associadas pode influenciar o desfecho. É fundamental que residentes saibam identificar rapidamente essa condição para um manejo oportuno.
Os principais sinais são vômitos biliosos persistentes que se iniciam nas primeiras 24-48 horas de vida, sem distensão abdominal significativa, e, em alguns casos, polidrâmnio materno.
O sinal da dupla bolha é caracterizado por duas bolhas de ar distintas: uma no estômago e outra na primeira porção do duodeno, separadas pelo piloro, indicando obstrução completa do duodeno distal.
A conduta inicial inclui estabilização do paciente, descompressão gástrica com sonda nasogástrica, hidratação venosa e investigação diagnóstica por radiografia abdominal, seguida de correção cirúrgica.
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