Atresia Duodenal em RN: Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido prematuro de 33 semanas e 5 dias de gestação, com história de polidrâmnio ao ultrassom gestacional, suspeita de síndrome de Down, apresentou aspirado gástrico de 45 mL bilioso na sala de parto. Realizado RX abdômen com a seguinte imagem.Em relação ao caso descrito acima e com base na imagem, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A correção cirúrgica deve ser de imediato.
  2. B) Distúrbio hidroeletrolítico é raro.
  3. C) Diagnóstico é estenose hipertrófica de piloro.
  4. D) Má-formação cardíaca associada é rara.
  5. E) O tratamento ideal é duodeno-duodeno anastomose em diamante.

Pérola Clínica

RN com polidrâmnio, aspirado bilioso e suspeita de Down → Atresia Duodenal = Duodeno-duodeno anastomose em diamante.

Resumo-Chave

A tríade de polidrâmnio, aspirado gástrico bilioso em recém-nascido e associação com Síndrome de Down é altamente sugestiva de atresia duodenal. O tratamento definitivo é cirúrgico, sendo a duodeno-duodeno anastomose em diamante a técnica de escolha para restaurar a continuidade do trato gastrointestinal.

Contexto Educacional

A atresia duodenal é uma malformação congênita caracterizada pela oclusão completa do lúmen duodenal, resultando em obstrução intestinal alta. É uma das causas mais comuns de obstrução intestinal neonatal e está fortemente associada à Síndrome de Down, ocorrendo em até 40% dos casos. O diagnóstico pode ser suspeitado no pré-natal pela presença de polidrâmnio, devido à incapacidade fetal de deglutir e absorver o líquido amniótico. Ao nascimento, o recém-nascido apresenta vômitos biliosos precoces e distensão epigástrica. A fisiopatologia da atresia duodenal envolve uma falha na recanalização do duodeno durante a 8ª a 10ª semana de gestação. O diagnóstico pós-natal é confirmado por radiografia abdominal, que revela o clássico sinal da 'dupla bolha' (dilatação do estômago e da primeira porção do duodeno). É crucial investigar outras malformações associadas, especialmente cardiopatias congênitas, que são comuns em pacientes com Síndrome de Down e atresia duodenal, pois podem impactar o manejo perioperatório e o prognóstico. O tratamento da atresia duodenal é cirúrgico e deve ser realizado após a estabilização clínica do recém-nascido. A técnica de escolha é a duodeno-duodeno anastomose em diamante, que cria uma ampla comunicação entre o duodeno proximal dilatado e o duodeno distal. A correção cirúrgica geralmente tem um bom prognóstico, mas o acompanhamento a longo prazo é importante para monitorar possíveis complicações como dismotilidade duodenal ou estenose anastomótica. A compreensão dessa condição é fundamental para residentes de pediatria e cirurgia pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos e radiológicos da atresia duodenal em recém-nascidos?

Clinicamente, a atresia duodenal manifesta-se com vômitos biliosos logo após o nascimento e distensão epigástrica. Radiologicamente, o sinal clássico é a 'dupla bolha', que representa a dilatação do estômago e da primeira porção do duodeno, separadas pelo piloro.

Por que a atresia duodenal está frequentemente associada à Síndrome de Down?

A atresia duodenal é uma das malformações congênitas mais comuns em recém-nascidos com Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), ocorrendo em cerca de 30-40% dos casos. A causa exata dessa associação não é totalmente compreendida, mas está ligada a falhas no desenvolvimento embrionário do intestino.

Qual a conduta inicial para um recém-nascido com suspeita de atresia duodenal?

A conduta inicial envolve estabilização do recém-nascido, descompressão gástrica com sonda orogástrica, hidratação venosa para correção de distúrbios hidroeletrolíticos e investigação de outras malformações associadas (especialmente cardíacas), antes da correção cirúrgica definitiva.

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