Atresia Duodenal em Síndrome de Down: Diagnóstico e Tratamento

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Lactante de 10 meses portador de Síndrome de Down é encaminhado ao cirurgião pediátrico para realização de fundoplicatura por refluxo grave com dificuldade de ganho ponderal. A mãe relata que o filho apresenta vômitos alimentares 2 a 3 vezes ao dia e o quadro se intensificou aos 6 meses, quando foram introduzidos alimentos pastosos. Traz um exame contrastado que revela a imagem a seguir. Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Piloroplastia.
  2. B) Duodeno-duodeno anastomose.
  3. C) Hiatoplastia e fundoplicatura.
  4. D) Ranitidina e domperidona.

Pérola Clínica

Síndrome de Down + vômitos persistentes + dificuldade ganho ponderal → investigar atresia/estenose duodenal.

Resumo-Chave

Em lactentes com Síndrome de Down e sintomas de refluxo grave refratário, especialmente com piora à introdução de sólidos, deve-se suspeitar de anomalias congênitas do trato gastrointestinal, como a atresia ou estenose duodenal, que exigem correção cirúrgica.

Contexto Educacional

A atresia duodenal é uma obstrução congênita do duodeno, caracterizada pela falha na recanalização do lúmen intestinal durante o desenvolvimento embrionário. É uma das anomalias gastrointestinais mais comuns em recém-nascidos, com uma incidência notavelmente aumentada em lactentes com Síndrome de Down, onde pode afetar até 12% dos indivíduos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações nutricionais e eletrolíticas. Clinicamente, a atresia duodenal manifesta-se por vômitos persistentes, que podem ser biliosos (se a obstrução for distal à ampola de Vater) ou não biliosos (se proximal). A dificuldade de ganho ponderal é um achado comum, e a introdução de alimentos sólidos pode exacerbar os sintomas. O diagnóstico é frequentemente confirmado por exames de imagem, como o estudo contrastado do trato gastrointestinal superior, que pode revelar o sinal da 'bolha dupla' em casos de atresia completa. O tratamento da atresia duodenal é cirúrgico, sendo a duodeno-duodeno anastomose a técnica de escolha. Este procedimento visa criar uma comunicação entre as porções proximal e distal do duodeno, contornando a área obstruída. É fundamental diferenciar a atresia duodenal de outras causas de vômitos em lactentes, como o refluxo gastroesofágico, para evitar atrasos no tratamento e garantir um prognóstico favorável.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de atresia duodenal em lactentes com Síndrome de Down?

Lactentes com Síndrome de Down e atresia duodenal podem apresentar vômitos persistentes (biliosos ou não, dependendo da localização), dificuldade de ganho ponderal e distensão abdominal. A piora dos sintomas com a introdução de alimentos sólidos é um forte indício.

Qual a conduta cirúrgica para atresia duodenal?

A conduta cirúrgica padrão para atresia duodenal é a duodeno-duodeno anastomose, que visa restabelecer a continuidade do trato gastrointestinal e aliviar a obstrução.

Por que a atresia duodenal é mais comum na Síndrome de Down?

A atresia duodenal é uma anomalia congênita que ocorre em cerca de 1 em cada 6.000 nascidos vivos, mas sua incidência é significativamente maior em crianças com Síndrome de Down, afetando aproximadamente 8-12% delas, devido a fatores genéticos e de desenvolvimento embrionário associados à trissomia do cromossomo 21.

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