Atresia Duodenal Neonatal: Diagnóstico e Conduta

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

RN com 12 horas de vida apresenta vômitos biliosos desde o nascimento. EF: BEG, abdome escavado, indolor e sem massas palpáveis. US pré-natal: polidrâmnio e sinal da dupla bolha. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) É uma emergência cirúrgica pelo grande risco de evoluir para intestino curto.
  2. B) A correção deve ser feita com ressecção do segmento proximal dilatado por esse ser hipogangliônico.
  3. C) Na maioria dos casos, a correção cirúrgica pode ser feita pela técnica de anastomose “em diamante”.
  4. D) É a anomalia congênita mais comum do intestino delgado.

Pérola Clínica

Vômitos biliosos + Dupla bolha → Atresia duodenal → Anastomose em diamante.

Resumo-Chave

A atresia duodenal é uma causa comum de obstrução intestinal alta no RN, frequentemente associada à Síndrome de Down. O tratamento é cirúrgico eletivo após estabilização.

Contexto Educacional

A atresia duodenal resulta da falha de recanalização do lúmen duodenal durante a 8ª-10ª semana de gestação. Clinicamente, manifesta-se com vômitos biliosos precoces (se a atresia for pós-ampular) e abdome escavado. O diagnóstico radiológico é clássico com a 'dupla bolha'. Diferente do volvo por má rotação, a atresia permite uma compensação hidroeletrolítica pré-operatória cuidadosa antes da intervenção definitiva.

Perguntas Frequentes

Qual a associação sindrômica mais comum na atresia duodenal?

A atresia duodenal está fortemente associada à Síndrome de Down (Trissomia do 21), ocorrendo em cerca de 30% dos casos. Além disso, pode estar associada a outras malformações congênitas, como cardiopatias, malformações renais e anomalias vertebrais (VACTERL), exigindo uma avaliação sistêmica completa do recém-nascido.

O que causa o sinal da dupla bolha no raio-X?

O sinal da dupla bolha é o achado radiológico clássico da atresia duodenal. Ele representa a distensão gasosa do estômago (primeira bolha) e da porção proximal do duodeno (segunda bolha), com ausência de gás no restante do trato intestinal distal devido à obstrução completa. Esse achado pode ser visualizado tanto no ultrassom pré-natal quanto na radiografia pós-natal.

Qual a técnica cirúrgica padrão para correção?

A técnica padrão é a duodenoduodenostomia látero-lateral, preferencialmente a técnica de Kimura ou 'em diamante'. Nesta técnica, as incisões no segmento proximal (transversal) e distal (longitudinal) são suturadas de forma a criar uma anastomose ampla, minimizando o risco de estenose e facilitando o esvaziamento gástrico precoce.

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