Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021
Recém-nascido inicia quadro de vômitos biliosos com 6 horas de vida, apresenta distensão em andar superior do abdome. Na história pré-natal apresentava polidrâmnia. Qual o achado esperado no exame de imagem mais indicado para esclarecimento do quadro?
RN com vômitos biliosos, distensão epigástrica e polidrâmnia pré-natal → suspeitar atresia duodenal, buscar "sinal da dupla bolha" na RX.
A tríade de polidrâmnia pré-natal, vômitos biliosos nas primeiras horas de vida e distensão abdominal superior em um recém-nascido é altamente sugestiva de atresia duodenal. O "sinal da dupla bolha" na radiografia simples de abdome é patognomônico dessa condição, representando o estômago e o duodeno dilatados.
A atresia duodenal é uma malformação congênita que resulta na obstrução completa do duodeno, impedindo a passagem do conteúdo gástrico e biliar. É uma das causas mais comuns de obstrução intestinal alta em recém-nascidos, com uma incidência de aproximadamente 1 em 5.000 a 10.000 nascidos vivos. A condição é frequentemente associada a outras anomalias congênitas, como a Síndrome de Down (em cerca de 30% dos casos), cardiopatias e anomalias renais, tornando seu diagnóstico precoce crucial para o manejo multidisciplinar. A fisiopatologia envolve a falha na recanalização do lúmen duodenal durante a 8ª a 10ª semana de gestação. Clinicamente, manifesta-se por vômitos biliosos (se a obstrução for distal à ampola de Vater) ou não biliosos (se proximal) que se iniciam nas primeiras horas ou dias de vida. A distensão abdominal é tipicamente restrita ao epigástrio. A história de polidrâmnia no pré-natal é um forte indicativo, pois o feto não consegue deglutir o líquido amniótico. O diagnóstico é confirmado pela radiografia simples de abdome, que revela o clássico "sinal da dupla bolha", caracterizado por duas bolhas de ar: uma no estômago e outra no duodeno proximal dilatado, sem gás distal. O tratamento da atresia duodenal é cirúrgico, geralmente realizado após a estabilização do recém-nascido. A cirurgia consiste em uma duodenoduodenostomia ou duodenojejunostomia para bypassar a área atrésica. O prognóstico é geralmente excelente para recém-nascidos sem anomalias associadas graves, com uma taxa de sobrevida superior a 90%. O manejo pré-operatório inclui descompressão gástrica com sonda orogástrica, hidratação intravenosa e correção de distúrbios eletrolíticos.
Os principais sinais clínicos incluem vômitos biliosos que se iniciam nas primeiras 24-48 horas de vida, distensão abdominal restrita ao andar superior (epigástrio) e, frequentemente, história de polidrâmnia no pré-natal.
O "sinal da dupla bolha" na radiografia simples de abdome representa a dilatação do estômago e da primeira porção do duodeno, separados pelo piloro, devido à obstrução completa do duodeno distal.
A polidrâmnia ocorre porque o feto não consegue deglutir e absorver o líquido amniótico adequadamente devido à obstrução intestinal alta, levando ao acúmulo excessivo de líquido no saco amniótico.
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