INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Lactente de 40 dias de vida, do sexo feminino, é levada para consulta por sua mãe. A criança tem história de icterícia e colúria progressivas desde a segunda semana de vida. Está em aleitamento materno, com boa aceitação e ganho ponderal, porém regurgita muito. A mãe relata que as fezes da bebê estão muito claras (acolia). O exame físico revela: paciente em bom estado geral; eutrófica; fígado de consistência firme, não nodular ou doloroso, a 3 cm do rebordo costal; baço a 1 cm do rebordo costal esquerdo. Tendo em vista essa situação, assinale a alternativa que contém, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta adequada para o caso.
Lactente com icterícia progressiva, colúria e acolia → suspeitar atresia biliar; encaminhamento urgente para diagnóstico/tratamento.
Icterícia prolongada em lactentes, especialmente associada a colúria (urina escura) e acolia (fezes claras), é um sinal de colestase e deve levantar forte suspeita de atresia biliar, uma emergência cirúrgica que requer diagnóstico e intervenção precoces para preservar a função hepática.
A icterícia prolongada em lactentes, especialmente quando acompanhada de colúria e acolia, é um sinal de alerta para colestase e deve ser investigada com urgência. A atresia biliar é a causa mais comum de icterícia colestática obstrutiva em recém-nascidos e lactentes jovens, sendo uma condição grave que leva à cirrose biliar progressiva se não tratada. A fisiopatologia da atresia biliar envolve a obliteração progressiva dos ductos biliares extra-hepáticos, impedindo o fluxo da bile do fígado para o intestino. Isso resulta no acúmulo de bilirrubina conjugada (direta) no sangue, causando icterícia, e na ausência de bile no intestino, levando à acolia fecal e má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis. O diagnóstico precoce é fundamental. A suspeita clínica é baseada nos sinais de icterícia prolongada, acolia e colúria. Exames laboratoriais mostrarão aumento da bilirrubina direta. A conduta adequada é o encaminhamento urgente para um centro especializado para investigação diagnóstica (ultrassonografia abdominal, cintilografia hepatobiliar, biópsia hepática) e tratamento cirúrgico, que é a portoenterostomia de Kasai. O sucesso da cirurgia é inversamente proporcional à idade do paciente, sendo ideal antes dos 60 dias de vida.
Os principais sinais de alerta são icterícia progressiva após a segunda semana de vida, fezes claras (acolia), urina escura (colúria), e hepatomegalia com fígado de consistência firme.
O diagnóstico precoce é crucial porque a atresia biliar é uma emergência cirúrgica. A cirurgia de Kasai (portoenterostomia) deve ser realizada idealmente antes dos 60 dias de vida para maximizar as chances de sucesso e evitar a progressão para cirrose biliar e necessidade de transplante hepático.
A icterícia do aleitamento materno é benigna, não causa colúria ou acolia, e o bebê tem bom estado geral e ganho ponderal. A atresia biliar cursa com icterícia progressiva, colestase (colúria, acolia) e, eventualmente, sinais de doença hepática progressiva. A dosagem de bilirrubina direta/conjugada é fundamental.
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