Atresia Biliar em Lactentes: Diagnóstico e Conduta Urgente

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Lactente de 40 dias de vida, do sexo feminino, é levada para consulta por sua mãe. A criança tem história de icterícia e colúria progressivas desde a segunda semana de vida. Está em aleitamento materno, com boa aceitação e ganho ponderal, porém regurgita muito. A mãe relata que as fezes da bebê estão muito claras (acolia). O exame físico revela: paciente em bom estado geral; eutrófica; fígado de consistência firme, não nodular ou doloroso, a 3 cm do rebordo costal; baço a 1 cm do rebordo costal esquerdo. Tendo em vista essa situação, assinale a alternativa que contém, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta adequada para o caso.

Alternativas

  1. A) Icterícia não obstrutiva prolongada, com bom ganho ponderal; solicitar gama-GT e aminotransferases.
  2. B) Icterícia obstrutiva prolongada por doença metabólica; substituir leite materno por fórmula e solicitar função hepática.
  3. C) Icterícia não obstrutiva prolongada, relacionada ao aleitamento materno, com evolução benigna; adotar conduta expectante.
  4. D) Icterícia obstrutiva prolongada por atresia biliar; encaminhar a criança urgentemente para avaliação diagnóstica e tratamento.

Pérola Clínica

Lactente com icterícia progressiva, colúria e acolia → suspeitar atresia biliar; encaminhamento urgente para diagnóstico/tratamento.

Resumo-Chave

Icterícia prolongada em lactentes, especialmente associada a colúria (urina escura) e acolia (fezes claras), é um sinal de colestase e deve levantar forte suspeita de atresia biliar, uma emergência cirúrgica que requer diagnóstico e intervenção precoces para preservar a função hepática.

Contexto Educacional

A icterícia prolongada em lactentes, especialmente quando acompanhada de colúria e acolia, é um sinal de alerta para colestase e deve ser investigada com urgência. A atresia biliar é a causa mais comum de icterícia colestática obstrutiva em recém-nascidos e lactentes jovens, sendo uma condição grave que leva à cirrose biliar progressiva se não tratada. A fisiopatologia da atresia biliar envolve a obliteração progressiva dos ductos biliares extra-hepáticos, impedindo o fluxo da bile do fígado para o intestino. Isso resulta no acúmulo de bilirrubina conjugada (direta) no sangue, causando icterícia, e na ausência de bile no intestino, levando à acolia fecal e má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis. O diagnóstico precoce é fundamental. A suspeita clínica é baseada nos sinais de icterícia prolongada, acolia e colúria. Exames laboratoriais mostrarão aumento da bilirrubina direta. A conduta adequada é o encaminhamento urgente para um centro especializado para investigação diagnóstica (ultrassonografia abdominal, cintilografia hepatobiliar, biópsia hepática) e tratamento cirúrgico, que é a portoenterostomia de Kasai. O sucesso da cirurgia é inversamente proporcional à idade do paciente, sendo ideal antes dos 60 dias de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para atresia biliar em um lactente?

Os principais sinais de alerta são icterícia progressiva após a segunda semana de vida, fezes claras (acolia), urina escura (colúria), e hepatomegalia com fígado de consistência firme.

Por que o diagnóstico precoce da atresia biliar é crucial?

O diagnóstico precoce é crucial porque a atresia biliar é uma emergência cirúrgica. A cirurgia de Kasai (portoenterostomia) deve ser realizada idealmente antes dos 60 dias de vida para maximizar as chances de sucesso e evitar a progressão para cirrose biliar e necessidade de transplante hepático.

Como diferenciar a icterícia por atresia biliar da icterícia do aleitamento materno?

A icterícia do aleitamento materno é benigna, não causa colúria ou acolia, e o bebê tem bom estado geral e ganho ponderal. A atresia biliar cursa com icterícia progressiva, colestase (colúria, acolia) e, eventualmente, sinais de doença hepática progressiva. A dosagem de bilirrubina direta/conjugada é fundamental.

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