Atresia Anal Neonatal: Conduta Inicial e Sinais

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Recém-nascido de 35 semanas de idade gestacional, apresenta desconforto respiratório logo após o nascimento. Ao exame, está cianótico +/4+, com murmúrio vesicular presente bilateralmente com roncos disseminados; sopro sistólico rude no foco aórtico; abdome globoso, distendido, flácido, RHA + e normais, ausência de orifício anal; apresenta escoliose e deformidade em perna e pé à direita. Qual é a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia de abdome.
  2. B) Ecocardiograma com doppler.
  3. C) Tomografia computadorizada de tórax.
  4. D) Passagem de sonda nasogástrica.

Pérola Clínica

RN com desconforto respiratório + distensão abdominal + ausência de ânus → suspeitar de fístula traqueoesofágica ou atresia anal alta, passar SNG.

Resumo-Chave

A ausência de orifício anal em um recém-nascido com distensão abdominal e desconforto respiratório é um sinal de alerta para malformações congênitas complexas, como a síndrome VACTERL. A passagem de sonda nasogástrica é crucial para descompressão gástrica e avaliação de patência esofágica, prevenindo aspiração e aliviando o desconforto respiratório.

Contexto Educacional

A atresia anal é uma malformação congênita que afeta aproximadamente 1 em cada 5.000 nascidos vivos, sendo mais comum em meninos. É caracterizada pela ausência ou fechamento incompleto do ânus, resultando em incapacidade de evacuar. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce e intervenção cirúrgica para garantir a sobrevida e a qualidade de vida do neonato, além de investigar outras anomalias associadas. A fisiopatologia envolve um desenvolvimento embriológico anormal do proctodeu e do septo urorretal. O diagnóstico é clínico, pela inspeção do períneo. A suspeita deve surgir em qualquer recém-nascido que não evacue mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida ou que apresente ausência de orifício anal. A presença de outros sinais, como desconforto respiratório e distensão abdominal, sugere malformações associadas, como fístulas traqueoesofágicas ou anomalias cardíacas. O tratamento inicial envolve a descompressão do trato gastrointestinal com sonda nasogástrica para evitar aspiração e aliviar a distensão. A correção definitiva é cirúrgica, geralmente em múltiplos estágios, dependendo da complexidade da malformação. O prognóstico varia conforme a presença e gravidade das anomalias associadas, sendo crucial uma avaliação multidisciplinar completa para otimizar os resultados e o acompanhamento a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de atresia anal em recém-nascidos?

A atresia anal é caracterizada pela ausência de orifício anal visível, podendo estar associada a distensão abdominal, dificuldade para evacuar e, em casos de fístula, eliminação de mecônio por outros orifícios.

Qual a importância da passagem de sonda nasogástrica em RN com atresia anal?

A passagem de sonda nasogástrica é fundamental para descompressão gástrica, prevenindo aspiração e aliviando o desconforto respiratório, além de auxiliar na investigação de fístulas traqueoesofágicas frequentemente associadas.

O que é a síndrome VACTERL e como se relaciona com a atresia anal?

A síndrome VACTERL é uma associação de malformações congênitas que inclui anomalias Vertebrais, Anais (atresia anal), Cardíacas, Traqueoesofágicas (fístula), Renais e dos Membros. A presença de atresia anal deve sempre levantar a suspeita dessa síndrome.

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