CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024
Os pais de José, 12 meses de idade, comparecem ao atendimento pediátrico com queixa de que o filho é muito calado, não emite sons como as outras crianças da família com a mesma idade, não aprendeu ainda a bater palmas e dar tchau, preferindo brincar sozinho. Aparentemente ouve sem dificuldades, porém não olha quando é chamado. Os pais trabalham o dia todo e o bebê é cuidado por uma babá, sem outras crianças no convívio diário. Neste contexto, assinale a alternativa correta:
Lactente com atraso em marcos sociais/comunicativos e fatores ambientais → iniciar estimulação e reavaliar antes de fechar diagnóstico.
Em crianças pequenas com sinais de atraso no neurodesenvolvimento, especialmente na presença de fatores ambientais como baixa estimulação, a primeira conduta é sempre otimizar o ambiente e a interação. Isso permite observar a resposta da criança e diferenciar um atraso por privação de um transtorno primário do desenvolvimento.
O atraso no neurodesenvolvimento em lactentes é uma preocupação comum na puericultura. É fundamental que o pediatra esteja apto a identificar os sinais de alerta e a realizar uma abordagem inicial adequada. A prevalência de atrasos leves é significativa, e a detecção precoce permite intervenções que podem mudar o prognóstico da criança. A importância da interação social e da estimulação cognitiva e motora é inegável para o desenvolvimento saudável. A fisiopatologia dos atrasos pode ser multifatorial, envolvendo desde fatores genéticos e biológicos até ambientais. No caso de fatores ambientais, como a falta de interação e estimulação, a intervenção é primária. O diagnóstico diferencial inclui transtornos do espectro autista, deficiência auditiva, deficiência intelectual e atrasos globais do desenvolvimento. A suspeita deve ser levantada quando há falha em atingir marcos esperados para a idade, como os citados na questão (não emitir sons, não bater palmas, não dar tchau, preferir brincar sozinho, não olhar quando chamado). O tratamento inicial, como sugerido na alternativa correta, envolve orientar os pais sobre a importância da estimulação adequada, aumentar a interação afetiva, promover brincadeiras e passeios. A reavaliação em um curto período (30 dias) é essencial para observar a resposta da criança à intervenção. Se os atrasos persistirem ou se agravarem, uma investigação mais aprofundada e encaminhamento para terapia multiprofissional (fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia) serão necessários. A abordagem deve ser sempre individualizada e centrada na família.
Aos 12 meses, espera-se que o bebê emita sons com significado (mamãe, papai), aponte para objetos, bata palmas, dê tchau, comece a andar com apoio e demonstre interesse em interações sociais e brincadeiras.
A suspeita surge quando o bebê não responde ao nome, não faz contato visual, não tenta imitar gestos ou sons, não demonstra interesse em interagir com outras pessoas ou prefere brincar isoladamente, especialmente se esses comportamentos persistem.
A estimulação ambiental é crucial, pois oferece oportunidades para o bebê explorar, aprender e interagir. A falta de estímulos adequados pode levar a atrasos em diversas áreas do desenvolvimento, que podem ser reversíveis com intervenção precoce.
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