UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020
A puericultura, prática da Pediatria que acompanha preventivamente o desenvolvimento da criança como um todo, também se responsabiliza pelo cuidado da Saúde mental. O pediatra é o primeiro a ter a possibilidade de reconhecer e orientar os pais sobre os desvios da normalidade no desenvolvimento da criança. O pediatra deve estar treinado a identificar doenças infecciosas, emergências cirúrgicas, bem como transtornos do desenvolvimento psicomotor. Menino de 2 anos e 4 meses vem ao consultório do Pediatra acompanhado de seus pais e sua irmã de seis anos de idade. A mãe apresenta preocupação quanto à fala da criança, pois nesta idade, apenas vocaliza consoantes. Sua irmã, na sua idade, já falava e se comunicava normalmente. Os pais acham que ele está regredindo quanto suas habilidades comunicativas, pois há pouco tempo, esboçava duas a três palavras, mas agora só se comunica quando quer. Sobre a história pregressa do menino, nasceu de parto normal, a termo, APGAR 9/10, sugou ao seio materno sem dificuldades. A mãe realizou o pré-natal sem intercorrências, negando ter apresentado qualquer alteração quanto às sorologias. Nega ainda tabagismo, etilismo e uso de drogas ilícitas. Realizou todos os testes de triagem neonatal sem qualquer alteração. Até os 12 meses de idade, apresentou neurodesenvolvimento psíquico e motor dentro da normalidade. Após essa idade, emitia sons de consoantes e vogais, mas suas palavras não faziam sentido como um todo, não apresentava interação social como mímicas, imitações, brincar de faz de conta. Neste momento, o Pediatra explica aos pais que:
Regressão da fala + falha na interação social > 12 meses = alerta para TEA ou transtorno de linguagem, requer avaliação multidisciplinar.
A regressão de habilidades de comunicação e a ausência de interação social (mímicas, imitações, faz de conta) em uma criança de 2 anos e 4 meses são sinais de alerta importantes para transtornos do neurodesenvolvimento, como o TEA, exigindo avaliação multidisciplinar imediata.
A puericultura é uma área essencial da pediatria que abrange o acompanhamento integral do desenvolvimento da criança, incluindo a saúde mental. Residentes e estudantes de medicina devem estar aptos a identificar precocemente desvios no desenvolvimento psicomotor, especialmente aqueles relacionados à comunicação e interação social. O caso apresentado, de um menino de 2 anos e 4 meses com regressão na fala e dificuldades de interação social, é um cenário clínico comum e de grande importância. Os sinais descritos – vocalização apenas de consoantes, regressão na fala (antes esboçava palavras, agora só se comunica quando quer) e, crucialmente, a ausência de interação social como mímicas, imitações e brincar de faz de conta – são fortes indicadores de um possível transtorno do neurodesenvolvimento. A regressão de habilidades previamente adquiridas é um sinal de alerta particularmente preocupante para condições como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou transtornos de linguagem. O neurodesenvolvimento normal até os 12 meses e a posterior alteração reforçam a necessidade de investigação. A conduta mais adequada é o encaminhamento para uma avaliação multidisciplinar completa. Uma fonoaudióloga experiente em transtornos do desenvolvimento é fundamental para diferenciar entre transtornos de linguagem e transtornos de comunicação social, que podem ser componentes do TEA. A intervenção precoce é comprovadamente mais eficaz para melhorar o prognóstico dessas crianças. Aguardar ou subestimar esses sinais pode atrasar o diagnóstico e o início das terapias, impactando negativamente o desenvolvimento da criança. O pediatra tem um papel central como coordenador desse cuidado, orientando os pais e articulando a equipe de especialistas.
Sinais de alerta para TEA incluem atraso ou regressão na fala, dificuldade em iniciar ou manter interação social, ausência de contato visual, brincadeiras repetitivas ou restritas, falta de interesse em brincar de faz de conta, e dificuldade em compartilhar atenção ou emoções. A ausência de mímicas e imitações também é um forte indicador.
A avaliação multidisciplinar, envolvendo pediatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e neurologista, é crucial para um diagnóstico preciso e um plano de intervenção abrangente. Cada profissional contribui com sua expertise para identificar as áreas de dificuldade e as forças da criança, diferenciando entre transtornos de linguagem, TEA e outras condições.
O pediatra deve encaminhar para investigação quando há ausência de balbucio aos 12 meses, ausência de palavras significativas aos 18 meses, ausência de frases de duas palavras aos 24 meses, ou qualquer regressão nas habilidades de fala e comunicação em qualquer idade. Sinais de alerta para TEA também justificam encaminhamento imediato.
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