UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Menino, 1 ano e 10 meses, comparece à consulta de puericultura e a mãe refere que ele não fala nenhuma palavra, mas entende ordens e aponta o que quer. Na consulta, permaneceu muito atento ao celular, interagindo pouco com o entorno e com as pessoas. Quando solicitado, removeu seus sapatos com ajuda, empilhou 3 potes, apontou algumas figuras de animais e objetos e chutou bola. Não emitiu palavras durante a consulta. No prontuário da criança constava crescimento e desenvolvimento adequados até 1 ano e 2 meses de idade, quando o atendimento foi interrompido devido à pandemia. Criança nascida a termo, sem referências de intercorrências no pré-natal e no parto. Testes de triagem neonatal normais. Qual é a conduta mais adequada?
Atraso de fala em criança com interação limitada e histórico de interrupção de acompanhamento → investigar ambiente e audição.
Em um cenário de atraso de fala com interação social limitada (uso excessivo de celular) e histórico de interrupção de acompanhamento, é fundamental investigar fatores ambientais e a audição, antes de encaminhamentos mais complexos, para identificar causas reversíveis ou manejáveis.
O caso apresenta uma criança de 1 ano e 10 meses com atraso significativo na fala, apesar de entender ordens e apontar o que quer. É importante notar que o desenvolvimento motor e cognitivo parece estar dentro do esperado para alguns marcos (empilhar potes, chutar bola, apontar figuras), mas a interação com o entorno é limitada pelo uso do celular. O histórico de interrupção do acompanhamento de puericultura devido à pandemia é um dado relevante, pois pode ter havido uma lacuna na identificação precoce de problemas ou na orientação aos pais. Antes de encaminhamentos complexos para neurologia ou psiquiatria, é fundamental investigar as causas mais comuns e potencialmente reversíveis do atraso de fala. A avaliação audiológica formal é imperativa, pois mesmo perdas auditivas leves podem comprometer a aquisição da fala, e o fato de "entender ordens" não exclui essa possibilidade. Além disso, a coleta de informações detalhadas sobre o ambiente psicossocial e a rotina da criança, incluindo o tempo de tela e a qualidade da interação verbal em casa, é crucial. O uso excessivo de telas é um fator de risco conhecido para atrasos de linguagem. A conduta inicial deve focar em identificar e corrigir fatores ambientais e descartar deficiência auditiva. Somente após essas etapas, se o atraso persistir ou se houver outros sinais de alerta, deve-se prosseguir com investigações mais aprofundadas e encaminhamentos para avaliação multidisciplinar.
O ambiente e a rotina influenciam diretamente o desenvolvimento da linguagem. Exposição excessiva a telas, pouca interação verbal e falta de estímulos podem ser fatores contribuintes que precisam ser modificados.
Crianças com perdas auditivas leves ou unilaterais podem entender algumas ordens, mas ter dificuldade na percepção de sons da fala, impactando a produção. Uma avaliação formal é crucial para descartar qualquer grau de deficiência auditiva.
A pandemia pode ter limitado a exposição social, a interação com outros adultos e crianças, e o acesso a creches e acompanhamento pediátrico regular, fatores que podem impactar o desenvolvimento da linguagem.
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