FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Uma criança que está com 11 meses de idade é acompanhada, em puericultura, desde o nascimento. A mãe está preocupada com a sua maneira de engatinhar, pois a criança arrasta os membros inferiores, sem realizar a posição de quatro ao se deslocar. Ela relata que a criança começou a engatinhar recentemente, mas ainda não se levanta e, quando colocada sentada, não sustentava o tronco. Nas consultas do sexto mês, foi anotado em prontuário que o reflexo de Moro e o reflexo tônico cervical assimétrico (RTCA) estavam presentes. Hoje, durante o exame, percebeu-se que, sentada, sustenta o corpo por mais tempo, mas, quando segurada pelas axilas, apresenta as pernas estendidas e cruzadas. Trata-se de primeiro filho nascido a termo por parto normal, após pré-natal sem intercorrências. Peso ao nascimento de 2450 g. Frequenta escola infantil desde o quarto mês, em período integral, e apresentou infecção de vias aéreas por duas vezes, sem complicações. Em relação a este caso, pode-se afirmar:
Persistência de reflexos primitivos > 6 meses + hipertonia de membros inferiores (sinal de tesoura) → suspeitar de encefalopatia não progressiva.
A persistência de reflexos primitivos como o de Moro e o RTCA após os 6 meses de idade, associada a sinais de hipertonia (como pernas estendidas e cruzadas), é um forte indicativo de atraso no desenvolvimento motor e pode sugerir uma encefalopatia não progressiva, exigindo investigação neurológica.
O desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) é um processo complexo e contínuo, fundamental para a avaliação pediátrica. A identificação precoce de atrasos ou desvios é crucial para intervenções oportunas. A encefalopatia não progressiva, como a paralisia cerebral, é a causa mais comum de deficiência motora na infância, afetando a postura e o movimento devido a uma lesão cerebral ocorrida durante o período pré, peri ou pós-natal. A avaliação do DNPM inclui a observação de marcos motores, cognitivos, de linguagem e sociais. A persistência de reflexos primitivos além da idade esperada (ex: Moro > 6 meses, RTCA > 4-6 meses) e a presença de sinais de hipertonia, como o 'sinal de tesoura' (pernas estendidas e cruzadas), são indicativos de um atraso significativo no amadurecimento cortical e podem sugerir uma lesão cerebral subjacente. A hipotonia de tronco e a dificuldade em adquirir marcos como sentar sem apoio ou engatinhar de forma típica também são alarmantes. O diagnóstico precoce da encefalopatia não progressiva permite o início de terapias de reabilitação que visam otimizar o potencial de desenvolvimento da criança. O prognóstico varia amplamente dependendo da extensão e localização da lesão, mas intervenções multidisciplinares (fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia) são essenciais para melhorar a qualidade de vida. A vigilância contínua do desenvolvimento é vital para todos os pediatras e residentes.
Sinais de alerta incluem a persistência de reflexos primitivos (Moro, RTCA) após a idade esperada, hipotonia de tronco, dificuldade em sustentar a cabeça ou sentar, e padrões motores anormais como o 'sinal de tesoura' nas pernas.
A persistência de reflexos primitivos, como o reflexo de Moro e o reflexo tônico cervical assimétrico, além dos 6 meses de idade, indica um atraso no amadurecimento do sistema nervoso central e é um forte marcador para o diagnóstico precoce de encefalopatia não progressiva.
A posição de pernas estendidas e cruzadas, conhecida como 'sinal de tesoura', é um indicativo de hipertonia dos membros inferiores, frequentemente observada em quadros de paralisia cerebral espástica, uma forma comum de encefalopatia não progressiva.
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