UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021
Mãe de um lactente de cinco meses chega à consulta com alguns questionamentos a respeito do desenvolvimento do seu filho. Ela queixa que ele não sustenta a cabeça e que seu filho mais velho já o fazia nessa idade. Nascido de parto cesárea por sofrimento fetal, banhado em mecônio espesso, necessitando de reanimação em sala de parto, Apgar 1 no primeiro minuto, 4 no quinto minuto e 7 no décimo minuto. Peso de nascimento: 2950g, comprimento: 50 cm. Exame físico: eleva momentaneamente a cabeça em posição de prono e sorri, faz semiflexão dos cotovelos e pronação do antebraço e flexão de punhos e dedos, reflexo tônico cervical assimétrico, reflexo de Moro exacerbado. Nessa situação, deve-se informar à mãe que seu filho apresenta
História de asfixia perinatal grave + atraso DPM e reflexos anormais em lactente = distúrbio neuropsicomotor, requer acompanhamento multiprofissional.
A história de asfixia perinatal grave, evidenciada pelos baixos escores de Apgar e sofrimento fetal, é um fator de risco significativo para distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor. A presença de atraso no desenvolvimento (não sustenta a cabeça aos 5 meses) e reflexos primitivos exacerbados ou persistentes (Moro, tônico cervical assimétrico) são sinais de alerta que indicam a necessidade de uma avaliação e acompanhamento multiprofissional intensivo.
O desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) infantil é um processo complexo e contínuo, influenciado por fatores genéticos e ambientais. A avaliação do DNPM é uma parte essencial da consulta pediátrica, permitindo a identificação precoce de atrasos ou desvios. A história perinatal, especialmente eventos como a asfixia perinatal, é um fator de risco primordial para distúrbios do DNPM, como a encefalopatia hipóxico-isquêmica, que pode resultar em sequelas neurológicas permanentes. No caso apresentado, a história de parto com sofrimento fetal, mecônio espesso e baixos escores de Apgar (1, 4 e 7) indica uma asfixia perinatal significativa. Aos cinco meses, a incapacidade de sustentar a cabeça e a presença de reflexos primitivos exacerbados ou persistentes (reflexo tônico cervical assimétrico, reflexo de Moro exacerbado) são sinais claros de um atraso no DNPM e de possível lesão neurológica. O conhecimento dos marcos do desenvolvimento e dos reflexos primitivos é fundamental para o residente identificar essas alterações. Diante de um quadro como este, é imperativo informar à mãe que o filho apresenta um distúrbio neuropsicomotor decorrente da asfixia perinatal. O prognóstico é variável, mas a intervenção precoce é crucial. O manejo deve ser multiprofissional, envolvendo pediatras, neurologistas infantis, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, para oferecer estimulação e reabilitação adequadas, visando otimizar o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. O acompanhamento neurológico isolado não é suficiente, pois a abordagem deve ser holística e integrada.
Aos 5 meses, um lactente deve sustentar a cabeça firmemente, rolar, alcançar objetos e sorrir socialmente. Não sustentar a cabeça, persistência ou exacerbação de reflexos primitivos (como o reflexo de Moro ou tônico cervical assimétrico) e falta de interação social são sinais de alerta que indicam a necessidade de avaliação.
A asfixia perinatal, especialmente quando grave e prolongada (como indicado pelos baixos escores de Apgar), pode levar à encefalopatia hipóxico-isquêmica, causando lesões cerebrais que resultam em atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, paralisia cerebral e outras sequelas neurológicas.
O acompanhamento multiprofissional, envolvendo pediatras, neurologistas infantis, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicólogos, é crucial para uma avaliação abrangente, estabelecimento de um plano de intervenção individualizado e estimulação precoce. Essa abordagem integrada visa maximizar o potencial de desenvolvimento da criança e minimizar as sequelas.
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