São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Durante uma consulta de rotina, você avalia um menino de 3 anos que ainda não começou a falar. Os pais estão preocupados, pois o desenvolvimento motor da criança é adequado para a idade. Ao explorar o histórico familiar, você descobre que há casos de atraso na fala em familiares próximos. Qual das seguintes ações é a mais apropriada para o próximo passo na avaliação?
Criança com atraso isolado da fala e desenvolvimento motor normal → avaliação audiológica é o primeiro passo obrigatório para excluir perda auditiva.
A audição é a base para o desenvolvimento da linguagem oral. Antes de atribuir um atraso de fala a fatores genéticos, ambientais ou a transtornos do neurodesenvolvimento, é mandatório descartar uma causa orgânica e tratável como a perda auditiva, que pode não ser evidente aos pais.
O atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem é uma das preocupações mais comuns em consultas pediátricas. O desenvolvimento da linguagem é um processo complexo que depende da integridade de múltiplos sistemas, incluindo o auditivo, neurológico e cognitivo, além de um ambiente com estímulos adequados. A identificação precoce de qualquer desvio é crucial para o prognóstico da criança. Diante de uma criança com atraso na fala, a primeira e mais importante etapa da investigação é descartar a perda auditiva. A audição é a principal via de entrada para o estímulo da linguagem oral. Uma criança que não ouve bem não pode aprender a falar corretamente. Mesmo perdas auditivas leves ou flutuantes (como as causadas por otite serosa recorrente) podem impactar significativamente o desenvolvimento da fala. Portanto, uma avaliação audiológica completa, que pode incluir exames como a audiometria de tronco encefálico (BERA) e emissões otoacústicas, é mandatória. Somente após a exclusão de um déficit auditivo, outras causas devem ser sistematicamente investigadas. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui o Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, transtornos específicos da linguagem, apraxia da fala na infância e fatores ambientais, como a falta de estímulo. A abordagem deve ser sempre multidisciplinar, envolvendo o pediatra, fonoaudiólogo, otorrinolaringologista e, se necessário, neuropediatra e psicólogo, para garantir um diagnóstico preciso e a implementação de um plano terapêutico individualizado.
Aos 3 anos, espera-se que a criança forme frases de 3 ou mais palavras e seja compreendida pela maioria das pessoas. Sinais de alerta incluem um vocabulário muito restrito (menos de 200 palavras), não formar frases, não responder a perguntas simples e dificuldade de compreensão.
Porque a perda auditiva, mesmo que leve ou unilateral, impede a criança de receber estímulos sonoros adequados, impactando diretamente a aquisição da linguagem. É uma causa comum, frequentemente tratável, e que precisa ser descartada antes de se considerar outras investigações mais complexas.
Outras causas importantes incluem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, transtorno específico de linguagem (distúrbio do desenvolvimento da linguagem) e privação de estímulos ambientais. A avaliação deve ser multidisciplinar, envolvendo pediatra, fonoaudiólogo e neuropediatra.
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