FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
Durante o atendimento a um adolescente de 13 anos de idade, sua principal queixa era em relação à sua altura. A mãe media 1,65 m, o pai media 1,78 m e o adolescente encontrava‑se dentro de seu canal de crescimento compatível com seu alvo genético. A mãe relatou que teve a menarca aos 15 anos de idade. A idade óssea do adolescente correspondia a dez anos de idade. Relatou‑se que a pubarca se iniciou há seis meses. Ao exame físico, não foi observada nenhuma alteração importante. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico indicado.
Adolescente com baixa estatura, idade óssea atrasada e história familiar de puberdade tardia → Atraso Constitucional do Crescimento e Puberdade.
O atraso constitucional do crescimento e puberdade (ACCP) é uma variante normal do desenvolvimento caracterizada por baixa estatura na infância, desaceleração do crescimento antes da puberdade, atraso na idade óssea e puberdade tardia. A história familiar de puberdade tardia é um forte indicativo, e o adolescente geralmente atinge a altura final esperada para o alvo genético, apenas mais tarde.
O atraso constitucional do crescimento e puberdade (ACCP) é a causa mais comum de baixa estatura transitória e puberdade tardia, sendo uma variante normal do desenvolvimento. Caracteriza-se por um padrão de crescimento que se desvia para baixo das curvas de crescimento padrão nos primeiros anos de vida, seguido por um período de desaceleração do crescimento antes do início da puberdade. A epidemiologia mostra que afeta mais meninos e frequentemente tem um componente familiar, com história de puberdade tardia em pais ou irmãos. A fisiopatologia envolve um 'relógio biológico' mais lento, resultando em um atraso na maturação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e na ossificação óssea. O diagnóstico é clínico, baseado na história (incluindo alvo genético e história familiar de puberdade tardia), exame físico normal, velocidade de crescimento adequada para a idade óssea e, crucialmente, idade óssea atrasada em relação à idade cronológica. A pubarca iniciada há seis meses em um adolescente de 13 anos com idade óssea de 10 anos, e mãe com menarca aos 15 anos, são achados típicos de ACCP. O tratamento geralmente é expectante, com acompanhamento do crescimento e desenvolvimento puberal. A maioria dos indivíduos com ACCP atinge uma altura final dentro da faixa normal para seu alvo genético, embora mais tarde que seus pares. Em casos de grande angústia psicossocial, pode-se considerar um curso curto de terapia hormonal para indução puberal, mas isso deve ser avaliado individualmente. É fundamental tranquilizar a família e o adolescente, explicando que é uma condição benigna e autolimitada.
Os critérios incluem baixa estatura para a idade, velocidade de crescimento normal ou levemente reduzida, idade óssea atrasada em relação à idade cronológica, atraso no início da puberdade e história familiar de puberdade tardia, com altura final geralmente dentro do alvo genético.
A idade óssea é um indicador crucial, pois no atraso constitucional ela está atrasada em relação à idade cronológica. Isso significa que o potencial de crescimento ainda é maior do que o esperado para a idade cronológica, confirmando que o adolescente ainda tem tempo para crescer.
Na baixa estatura familiar, a idade óssea é compatível com a idade cronológica e a puberdade ocorre no tempo esperado, mas a altura final é baixa devido à genética. No atraso constitucional, a idade óssea e a puberdade são atrasadas, mas a altura final é geralmente normal para o alvo genético.
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