INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Adolescente do sexo masculino, com 14 anos de idade, busca atendimento em Unidade Básica de Saúde por considerar sua estatura muito baixa. O seu peso ao nascer foi de 3 Kg e o comprimento, de 50 cm. Manteve-se com velocidade de crescimento adequada até os dois anos de vida. Depois desse período, o pediatra constatou desaceleração no padrão de crescimento. Atualmente, apresenta velocidade de crescimento e estatura compatíveis com a idade óssea. Estágio de Tanner = 1; idade óssea = 13,5 anos; radiografia de crânio normal. Qual a conduta adequada para essa situação?
Idade óssea atrasada + Velocidade de crescimento normal para a IO = Atraso Constitucional (ACCP).
O Atraso Constitucional do Crescimento e da Puberdade é uma variante da normalidade onde o paciente 'atrasa' o estirão, mas atinge estatura final adequada.
O Atraso Constitucional do Crescimento e da Puberdade (ACCP) é a causa mais comum de baixa estatura e atraso puberal em meninos. É fundamental diferenciá-lo da Baixa Estatura Familiar (onde a idade óssea é igual à cronológica) e de causas patológicas como o Hipogonadismo Hipogonadotrófico ou deficiência de GH. Neste caso clínico, o adolescente de 14 anos tem velocidade de crescimento adequada para a idade óssea (13,5 anos), Tanner 1 e exames normais. Isso caracteriza o ACCP clássico. A conduta correta é o acompanhamento clínico, pois o início espontâneo da puberdade é esperado em breve, seguido pelo estirão de crescimento.
O diagnóstico de ACCP é sugerido em adolescentes com baixa estatura, mas que apresentam uma velocidade de crescimento normal para a sua idade óssea (que está atrasada em relação à idade cronológica). Geralmente há história familiar de 'crescimento tardio' (pais que cresceram após os 15-16 anos). Ao exame, o estágio de Tanner é pré-puberal (M1/G1), mas a previsão de estatura final costuma estar dentro do alvo genético da família.
A idade óssea (geralmente avaliada por radiografia de punho esquerdo) reflete a maturação biológica do esqueleto. No ACCP, a idade óssea está atrasada em relação à cronológica, o que significa que o paciente ainda tem 'tempo' para crescer, pois as epífises ósseas ainda não se fecharam. Se a estatura do paciente é compatível com a sua idade óssea, o prognóstico de crescimento é bom.
No ACCP, a conduta padrão é a observação e tranquilização. No entanto, em casos selecionados onde o atraso puberal causa sofrimento psicossocial significativo (bullying, isolamento), doses baixas de testosterona por curto período (3-6 meses) podem ser usadas para 'dar o pontapé inicial' na puberdade, sem comprometer a estatura final.
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