HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024
Menino, 11 anos e 6 meses de idade, está em consulta ambulatorial de rotina. Os pais estão preocupados pois ele é o mais baixo da sala de aula e ainda não apresenta nenhum marco puberal. Refere alimentação balanceada e equilibrada, faz atividade física regular 3 vezes por semana (judô). Sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes. Sem alterações relevantes no exame clínico, estádio puberal G1 P1. Estatura de 130 cm (Curva OMS escore Z entre -3 e -2), índice de massa corpórea de 17,2 kg/m² (Curva OMS escore Z = 0). Na última consulta, realizada há 6 meses, ele apresentava estatura de 127 cm. O pai tem estatura de 182 cm. A mãe tem estatura de 169 cm e refere que apresentou a menarca com 13 anos. O paciente realizou radiografia de punho esquerdo na semana passada, com idade óssea compatível com 9 anos. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Menino com baixa estatura, idade óssea atrasada e atraso puberal + história familiar de puberdade tardia → Atraso Constitucional.
O atraso constitucional do crescimento e puberdade é a causa mais comum de puberdade tardia e baixa estatura em adolescentes. Caracteriza-se por idade óssea atrasada, velocidade de crescimento normal para a idade óssea e história familiar de puberdade tardia, sendo um diagnóstico de exclusão.
O atraso constitucional do crescimento e puberdade (ACCP) é a causa mais comum de puberdade tardia e baixa estatura em adolescentes, representando uma variação normal do desenvolvimento. Caracteriza-se por um retardo na maturação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e na idade óssea, resultando em estatura abaixo do percentil 3 para a idade cronológica e ausência de sinais puberais na idade esperada (ausência de aumento do volume testicular > 4ml em meninos aos 14 anos ou telarca em meninas aos 13 anos). O diagnóstico de ACCP é de exclusão, após afastar outras causas patológicas de baixa estatura e atraso puberal, como deficiência de hormônio de crescimento, hipotireoidismo, doenças crônicas ou hipogonadismo primário/secundário. A história familiar de puberdade tardia (mãe com menarca tardia, pai com 'estirão' de crescimento tardio) é um forte indicativo. A idade óssea, avaliada por radiografia de punho esquerdo, é classicamente atrasada em relação à idade cronológica, o que é compatível com o potencial de crescimento futuro. O manejo do ACCP geralmente envolve observação e tranquilização, pois a maioria dos pacientes terá um crescimento e desenvolvimento puberal espontâneos, embora tardios, atingindo estatura final dentro do alvo genético. Em casos de grande angústia psicossocial, pode-se considerar um curso curto de testosterona em baixas doses para meninos, visando iniciar a puberdade e melhorar a autoestima, sem comprometer a estatura final.
Os critérios incluem baixa estatura, idade óssea atrasada em relação à idade cronológica, ausência de sinais puberais na idade esperada, velocidade de crescimento normal para a idade óssea e, frequentemente, história familiar de puberdade tardia.
A idade óssea atrasada é um marcador chave, indicando que o corpo está se desenvolvendo em um ritmo mais lento do que o cronológico, o que é característico do atraso constitucional.
O prognóstico é excelente; a maioria dos adolescentes com atraso constitucional atinge estatura final normal e completa o desenvolvimento puberal espontaneamente, embora mais tarde que seus pares.
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