MedEvo Simulado — Prova 2026
Um menino de 11 anos e 4 meses é levado ao pediatra pela mãe, que relata preocupação com a baixa estatura do filho, afirmando que ele é o menor da classe e ainda não apresenta sinais de puberdade, diferentemente dos colegas. O paciente nasceu a termo, com peso e comprimento adequados para a idade gestacional, e não possui antecedentes de doenças crônicas ou uso de medicações. Na história familiar, o pai mede 175 cm e a mãe 162 cm, ambos com histórico de puberdade tardia (o pai refere ter crescido após os 16 anos). Ao exame físico, o paciente apresenta estatura de 131 cm (Z-escore -2,4) e peso de 30 kg (Z-escore -1,5). A velocidade de crescimento calculada no último ano foi de 4,5 cm/ano. O estadiamento puberal de Tanner é G1P1, com volume testicular de 3 mL bilateralmente. Foram realizados exames de triagem, incluindo hemograma, função renal, eletrólitos, TSH, T4 livre e anticorpo antitransglutaminase IgA, todos com resultados dentro da normalidade. A radiografia de punho para idade óssea revelou maturação compatível com 8 anos e 10 meses. Diante do quadro clínico e laboratorial apresentado, a hipótese diagnóstica mais provável é:
Idade óssea atrasada + Velocidade de crescimento normal + Histórico familiar de 'late bloomer' = ACCP.
O Atraso Constitucional do Crescimento e Puberdade (ACCP) é uma variante do normal onde há desaceleração inicial, mas o potencial genético é atingido tardiamente.
O Atraso Constitucional do Crescimento e da Puberdade (ACCP) representa uma das causas mais comuns de consulta por baixa estatura na pré-adolescência, especialmente em meninos. Caracteriza-se por uma maturação biológica mais lenta, evidenciada pelo atraso na idade óssea. Fisiopatologicamente, há um atraso na ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, mas sem deficiências hormonais permanentes. O diagnóstico é de exclusão, exigindo a confirmação de que a velocidade de crescimento é adequada e que exames laboratoriais descartam doenças sistêmicas (como doença celíaca ou distúrbios tireoidianos). O prognóstico é excelente, com a maioria dos indivíduos alcançando uma estatura final dentro da faixa de normalidade para o alvo genético familiar, embora o estirão puberal ocorra cronologicamente mais tarde.
No Atraso Constitucional do Crescimento e Puberdade (ACCP), a idade óssea está atrasada em relação à idade cronológica, e há frequentemente história familiar de puberdade tardia. Na Baixa Estatura Familiar, a idade óssea é compatível com a idade cronológica, a criança cresce dentro do seu canal genético (que é baixo) e a puberdade ocorre na época esperada.
A velocidade de crescimento (VC) é o parâmetro mais sensível para diferenciar variantes do normal de doenças patológicas. No ACCP e na Baixa Estatura Familiar, a VC é normal para a idade óssea (geralmente > 4-5 cm/ano na fase pré-puberal). Uma VC baixa sugere causas patológicas como hipotireoidismo, deficiência de GH ou doenças sistêmicas crônicas.
Na maioria dos casos, a conduta é expectante, com orientações e acompanhamento clínico, pois o paciente atingirá sua estatura alvo final, embora mais tarde que seus pares. Em casos selecionados com grande sofrimento psicossocial, pode-se considerar o uso de baixas doses de testosterona em meninos para 'induzir' o estirão, mas isso não altera a estatura final.
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