UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024
Menino de 10 anos de idade chega ao consultório de endocrinologia pediatrica com seus pais. Estes estão preocupados, pois o filho é o “menor da turma”, quando comparado aos seus colegas da mesma idade. Sem doenças de base, pais referem apenas episódio de bronquiolite aos 2 meses sem necessidade de internação. No exame físico: Estatura 1,31 m (metros), correspondente a -1 DP (desvio padrão), 26 quilos, testículo de 3 mL e pênis de aspecto infantil. O exame radiológico de idade óssea é compatível com 8 anos. No caso acima, para confirmar o diagnóstico, o próximo passo é:
Menino com baixa estatura, idade óssea atrasada e testículos pré-púberes → Acompanhar velocidade de crescimento para atraso constitucional.
O quadro de baixa estatura com idade óssea atrasada em relação à idade cronológica, associado a um desenvolvimento puberal ainda não iniciado (testículos pré-púberes), sem outras comorbidades, é altamente sugestivo de atraso constitucional do crescimento e puberdade. O próximo passo é monitorar a velocidade de crescimento para confirmar o diagnóstico e diferenciar de outras causas de baixa estatura.
A baixa estatura é uma queixa comum no consultório de endocrinologia pediátrica e pediatria geral, gerando preocupação em pais e profissionais. O atraso constitucional do crescimento e puberdade (ACCP) é a causa mais frequente de baixa estatura em crianças saudáveis, sendo uma variante da normalidade. É crucial para residentes saberem como diferenciá-lo de condições patológicas que requerem intervenção. O diagnóstico do ACCP baseia-se na história clínica (incluindo história familiar de atraso puberal), exame físico (estatura abaixo do percentil 3, mas com velocidade de crescimento normal para a idade óssea, e ausência de sinais de puberdade para a idade cronológica), e exames complementares, sendo a idade óssea o mais relevante. No ACCP, a idade óssea está atrasada em relação à idade cronológica, mas é compatível com a estatura da criança. O desenvolvimento puberal também é atrasado, mas ocorre espontaneamente. O manejo do ACCP é primariamente expectante, com acompanhamento da velocidade de crescimento e do desenvolvimento puberal. Não há necessidade de intervenção hormonal na maioria dos casos, pois a criança atingirá uma estatura final normal, embora mais tardiamente. O retorno para avaliar a velocidade de crescimento é o próximo passo essencial para confirmar o diagnóstico e tranquilizar a família, evitando exames invasivos ou desnecessários. É importante diferenciar o ACCP de deficiência de GH, hipotireoidismo, síndromes genéticas ou doenças crônicas, que apresentariam velocidade de crescimento reduzida ou outras alterações clínicas.
Os principais critérios incluem baixa estatura para a idade cronológica, idade óssea atrasada em relação à idade cronológica, ausência de sinais de puberdade ou puberdade atrasada, história familiar de atraso puberal e, crucialmente, uma velocidade de crescimento normal para a idade óssea.
A velocidade de crescimento é fundamental porque indica se o crescimento está ocorrendo em um ritmo adequado. Uma velocidade de crescimento normal para a idade óssea, mesmo em uma criança com baixa estatura, sugere uma condição benigna como o atraso constitucional, enquanto uma velocidade de crescimento reduzida aponta para uma patologia subjacente.
Após uma anamnese e exame físico detalhados, a idade óssea é o exame inicial mais importante. Outros exames como hemograma, urina I, TSH e T4 livre podem ser considerados para rastreio de causas comuns, mas exames mais complexos como GH e cariótipo são reservados para casos com velocidade de crescimento alterada ou outras características patológicas.
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