UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025
Sobre as técnicas utilizadas para o tratamento de atonia (hemorragia) uterina puerperal, considere as afirmativas a seguir.I. Dispositivo de Odon.II. Ligadura da artéria ilíaca comum.III. Sistema JADA.IV. Sutura de B-Lynch. Assinale a alternativa correta.
Atonia uterina refratária a uterotônicos → Considerar técnicas de tamponamento/compressão como a sutura de B-Lynch ou o sistema de vácuo JADA.
O manejo da hemorragia pós-parto por atonia uterina é escalonado. Após falha das medidas clínicas, a sutura de B-Lynch (compressão mecânica) e o sistema JADA (vácuo para induzir contração) são abordagens cirúrgicas conservadoras eficazes para evitar a histerectomia.
A atonia uterina é a principal causa de hemorragia pós-parto (HPP), uma emergência obstétrica com alta morbimortalidade. O manejo eficaz requer uma abordagem rápida, sistemática e escalonada. A primeira linha de tratamento envolve medidas clínicas para estimular a contração uterina, como massagem bimanual e administração de agentes uterotônicos (ocitocina, metilergometrina, misoprostol). Quando essas medidas falham, o próximo passo envolve procedimentos para controlar o sangramento mecanicamente ou cirurgicamente, priorizando a preservação do útero. Entre as técnicas mais utilizadas estão o tamponamento com balão intrauterino (como o balão de Bakri) e as suturas de compressão uterina, sendo a sutura de B-Lynch a mais conhecida. Recentemente, o sistema JADA, um dispositivo de vácuo intrauterino, emergiu como uma opção eficaz que promove a contração fisiológica do útero e controla o sangramento rapidamente. Procedimentos mais invasivos, como a ligadura seletiva de artérias (uterinas, ovarianas ou ilíacas internas), são reservados para casos refratários. A histerectomia puerperal é a medida definitiva e de exceção, realizada para salvar a vida da paciente quando todas as outras abordagens falham. O dispositivo de Odon não é utilizado para HPP, mas sim para facilitar o parto vaginal.
O manejo inicial inclui 'pedir ajuda', massagem uterina bimanual contínua, garantir acesso venoso calibroso e iniciar a infusão de uterotônicos, como ocitocina em altas doses. Se não houver resposta, podem ser usados derivados do ergot (metilergometrina) ou prostaglandinas (misoprostol).
A sutura de B-Lynch é uma técnica cirúrgica realizada durante uma laparotomia. Um fio de sutura absorvível é passado ao redor do útero de forma a comprimi-lo mecanicamente, como se fossem 'suspensórios', o que ajuda a estancar o sangramento dos sinusoides venosos abertos e a mimetizar uma contração uterina.
A histerectomia é o último recurso, indicado quando todas as outras medidas (clínicas, mecânicas e cirúrgicas conservadoras) falharam em controlar o sangramento e a paciente apresenta instabilidade hemodinâmica. Também pode ser a primeira opção em casos de acretismo placentário grave com sangramento incontrolável.
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