UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Paciente, 31 anos, G5P4NA0, IG: 37 semanas, hipertensa crônica em uso de metildopa 2 g/dia, soropositiva para o vírus HIV, fez uso do esquema tríplice no pré-natal, carga viral de 1500 cópias/mL realizada com 30 semanas. Admitida em maternidade em expulsivo e, após a dequitação espontânea da placenta, evoluiu com atonia uterina. Evolui com FC: 146 bpm e PA: 90 X 50 mmHg. O manejo adequado dessa paciente está corretamente descrito em:
Atonia uterina com HPP: iniciar ocitocina, massagem, ácido tranexâmico e misoprostol retal; metilergometrina contraindicada em hipertensa.
O manejo da atonia uterina e hemorragia pós-parto (HPP) exige ação rápida e coordenada. A ocitocina é a primeira linha, mas em casos refratários, outros útero-tônicos como misoprostol e ácido tranexâmico são essenciais. A metilergometrina é contraindicada em pacientes hipertensas devido ao risco de crise hipertensiva.
A atonia uterina é a causa mais comum de hemorragia pós-parto (HPP), uma das principais causas de mortalidade materna globalmente. O manejo rápido e eficaz é crucial e envolve uma abordagem multifacetada: reconhecimento precoce, massagem uterina, uso de agentes útero-tônicos, reposição volêmica e, se necessário, intervenções cirúrgicas. A paciente do caso apresenta fatores de risco como multiparidade e hipertensão crônica, complicando o manejo. Os útero-tônicos são a base do tratamento farmacológico. A ocitocina é a primeira escolha, administrada intravenosamente. O misoprostol, um análogo de prostaglandina, é eficaz e pode ser administrado por via retal, sendo uma boa opção em pacientes hipertensas. O ácido tranexâmico, um antifibrinolítico, deve ser administrado precocemente para reduzir a perda sanguínea. A metilergometrina, um derivado do ergot, é um potente útero-tônico, mas é estritamente contraindicada em pacientes com hipertensão ou doença cardiovascular devido ao risco de vasoconstrição e crise hipertensiva. A avaliação do estado hemodinâmico, como o índice de choque (FC/PAS), é vital para guiar a reposição volêmica e a necessidade de transfusão de hemoderivados. Um índice de choque elevado (>0,9) indica um choque mais grave e a necessidade de considerar transfusão maciça. A presença de HIV na paciente não contraindica o uso dos útero-tônicos ou do ácido tranexâmico, mas exige atenção especial ao estado imunológico geral e à interação com antirretrovirais, embora não seja um fator limitante para o manejo agudo da HPP.
Os principais fatores de risco para atonia uterina incluem multiparidade, gestação múltipla, polidramnia, macrossomia fetal, trabalho de parto prolongado, uso de ocitocina em altas doses e infecções intra-amnióticas.
A sequência de medicamentos para tratar a atonia uterina geralmente começa com ocitocina intravenosa, seguida por misoprostol retal. O ácido tranexâmico também é indicado para reduzir a perda sanguínea. Metilergometrina pode ser usada, mas é contraindicada em hipertensas.
O índice de choque (FC/PA sistólica) é uma ferramenta rápida e eficaz para avaliar a gravidade da hemorragia pós-parto e a necessidade de transfusão. Um índice de choque > 0,9 indica choque grave e necessidade de atenção imediata e possível transfusão maciça.
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