FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024
Primigesta, IMC 36, com 37 semanas de gestação, foi internada para indução do trabalho de parto após diagnóstico de pré-eclampsia, sem sinais de gravidade. Com 7cm de dilatação, foi submetida a cesariana por frequência cardiofetal não tranquilizadora e evoluiu com atonia uterina. Para o tratamento desta condição, qual procedimento está contraindicado?
Atonia uterina em pré-eclâmpsia → Metilergometrina contraindicada por risco cardiovascular.
A metilergometrina é um uterotônico potente, mas é contraindicada em pacientes com pré-eclâmpsia ou hipertensão arterial devido ao seu efeito vasoconstritor, que pode precipitar crises hipertensivas, acidentes vasculares cerebrais ou infarto agudo do miocárdio.
A atonia uterina é a causa mais comum de hemorragia pós-parto (HPP), uma das principais causas de morbimortalidade materna. Caracteriza-se pela falha do útero em contrair-se adequadamente após o parto, levando a sangramento excessivo. O reconhecimento e manejo rápidos são cruciais, especialmente em pacientes com comorbidades como a pré-eclâmpsia, que já apresentam risco cardiovascular aumentado. A fisiopatologia da atonia uterina envolve a incapacidade das fibras musculares uterinas de se contraírem e comprimirem os vasos sanguíneos abertos no leito placentário. O tratamento inicial inclui massagem uterina e uterotônicos. A ocitocina é a primeira escolha, seguida por misoprostol. No entanto, a metilergometrina, um uterotônico eficaz, é contraindicada em pacientes hipertensas ou com pré-eclâmpsia devido ao risco de crise hipertensiva e eventos cardiovasculares adversos. Em casos refratários aos uterotônicos, medidas mecânicas como o balão intrauterino ou suturas de compressão (ex: B-Lynch) podem ser empregadas. O ácido tranexâmico também é indicado para reduzir o sangramento. A decisão terapêutica deve sempre considerar o perfil de risco da paciente para evitar iatrogenias e otimizar o resultado materno.
A metilergometrina é um derivado do ergot que possui potente efeito vasoconstritor, podendo causar aumento significativo da pressão arterial e agravar a hipertensão já presente na pré-eclâmpsia, com risco de complicações cardiovasculares graves.
As opções incluem ocitocina (primeira linha), misoprostol, ácido tranexâmico, balão intrauterino e, em casos refratários, suturas de compressão uterina (ex: B-Lynch) ou ligadura de artérias uterinas/hipogástricas.
Fatores de risco incluem multiparidade, gestação múltipla, polidramnia, macrossomia fetal, trabalho de parto prolongado, uso excessivo de ocitocina, corioamnionite, mioma uterino e pré-eclâmpsia.
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