Atonia Uterina: Diagnóstico e Manejo da Hemorragia Pós-Parto

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Uma puérpera apresentou sangramento vaginal aumentado no primeiro dia após o parto vaginal sem lacerações significativas. Ao exame, foram detectados útero amolecido e presença de coágulos. Considerando o quadro clínico descrito, assinale a alternativa que indica a causa mais provável da hemorragia pós-parto precoce:

Alternativas

  1. A) Acretismo placentário residual.
  2. B) Retenção urinária em bexiga pouco distendida.
  3. C) Laceração de vasos cervicais sem sinais externos.
  4. D) Atonia uterina por falha de contração miometrial.

Pérola Clínica

Útero amolecido + sangramento aumentado pós-parto = Atonia Uterina (Causa mais comum de HPP).

Resumo-Chave

A atonia uterina é a principal causa de hemorragia pós-parto (HPP). O diagnóstico é clínico, baseado na palpação de um útero hipotônico e amolecido, exigindo intervenção imediata com massagem e uterotônicos.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida tradicionalmente como perda sanguínea superior a 500 ml em parto vaginal ou 1000 ml em cesariana, ou qualquer perda que cause instabilidade hemodinâmica. A atonia uterina ocorre quando o miométrio falha em contrair adequadamente após a saída da placenta, impedindo a oclusão dos vasos sanguíneos no sítio de inserção placentária (ligaduras vivas de Pinard). Fatores de risco incluem gestação múltipla, polidrâmnio, macrossomia, trabalho de parto prolongado e uso de sulfato de magnésio. O diagnóstico é eminentemente clínico. O manejo deve ser agressivo e sistemático, seguindo protocolos de 'Hora de Ouro', onde a rapidez na identificação e no controle do foco hemorrágico reduz drasticamente a morbimortalidade materna.

Perguntas Frequentes

Quais são os '4 Ts' da hemorragia pós-parto?

Os 4 Ts representam as causas principais de HPP: 1) Tônus (Atonia uterina - causa mais comum, 70-80%); 2) Trauma (Lacerações de trajeto, inversão ou ruptura uterina); 3) Tecido (Retenção de restos placentários ou coágulos); 4) Trombina (Coagulopatias prévias ou adquiridas). A identificação rápida de qual 'T' está causando o sangramento direciona o tratamento específico.

Como é feito o tratamento inicial da atonia uterina?

O tratamento inicial baseia-se na massagem uterina bimanual (Manobra de Hamilton) associada à administração de uterotônicos. A ocitocina endovenosa é a primeira escolha. Caso não haja resposta, utilizam-se outros agentes como o metilergonovina (se não houver hipertensão), misoprostol (via retal ou oral) e ácido tranexâmico para estabilização da fibrina. A manutenção da estabilidade hemodinâmica com cristaloides é concomitante.

Quando indicar medidas cirúrgicas na atonia uterina?

Medidas cirúrgicas ou invasivas são indicadas quando o manejo farmacológico e a massagem uterina falham em controlar o sangramento. As opções incluem o tamponamento uterino com balão (Bakri), suturas compressivas (como a técnica de B-Lynch), desarterialização uterina ou, em última instância, a histerectomia puerperal de urgência para salvar a vida da paciente.

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