Ritmos de PCR e Conduta: Cardioversão vs Desfibrilação

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 80 anos foi encontrado em rua pública, e testemunhas disseram que ele estava caminhando quando subitamente caiu no chão, perdendo a consciência. No hospital, foi realizado eletrocardiograma mostrado a seguir. Ao exame físico, sua pressão arterial era de 80x40mmHg, havia estertores pulmonares em todos os segmentos pulmonares com turgência jugular; sua glicemia estava normal. Durante seu atendimento, o paciente demonstrou um ritmo cardíaco no monitor. Com base nos conhecimentos clínicos e nos eletrocardiogramas apresentados, julgue o item a seguir. Na ausência de pulso no eletrocardiograma número 2, deve-se realizar cardioversão elétrica sincronizada.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Ritmo sem pulso (AESP/Assistolia) → RCP + Adrenalina. Cardioversão e Desfibrilação são CONTRAINDICADAS.

Resumo-Chave

A cardioversão sincronizada exige a detecção da onda R para disparar o choque no período refratário. Em ritmos sem pulso (PCR), não há sincronia possível ou indicação de choque se for AESP/Assistolia.

Contexto Educacional

A distinção entre ritmos chocáveis e não chocáveis é a pedra angular do Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (ACLS). A Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) é definida pela presença de atividade elétrica organizada no monitor, mas sem a geração de pulso palpável. Nesses casos, a intervenção elétrica (seja desfibrilação ou cardioversão) não possui substrato fisiopatológico para funcionar. A cardioversão sincronizada, especificamente, depende da identificação do complexo QRS pelo monitor para evitar o fenômeno R-sobre-T, o que é impossível ou irrelevante em um cenário de PCR. O foco deve ser a manutenção da perfusão coronariana e cerebral via compressões torácicas e a busca incessante pelas causas subjacentes.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre Cardioversão e Desfibrilação?

A cardioversão é sincronizada com a onda R do ECG, usada para converter taquiarritmias organizadas (como FA ou TV com pulso) que causam instabilidade. A desfibrilação é um choque não sincronizado de alta energia usado exclusivamente em ritmos de PCR chocáveis: Fibrilação Ventricular (FV) e Taquicardia Ventricular sem pulso (TVSP).

Como manejar a Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP)?

O manejo da AESP foca em RCP de alta qualidade, administração de Adrenalina 1mg a cada 3-5 minutos (o mais precocemente possível) e, crucialmente, na identificação e tratamento das causas reversíveis (os 5Hs e 5Ts), como hipovolemia, hipóxia e pneumotórax hipertensivo.

Por que não se choca a AESP ou Assistolia?

O choque elétrico (desfibrilação) serve para despolarizar simultaneamente as células cardíacas em caos elétrico (FV/TVSP) para permitir que o marcapasso natural retome o controle. Na AESP e Assistolia, o problema não é o caos elétrico, mas a ausência de função mecânica ou de atividade elétrica, onde o choque causaria apenas dano miocárdico adicional.

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