Atipia de Células Glandulares (AGC): Conduta Essencial

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 38 anos de idade, assintomática, em seguimento ginecológico de rotina, recebeu resultado de citologia oncótica com atipia das células glandulares (AGC). Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para a paciente.

Alternativas

  1. A) repetir exame imediatamente, associado à pesquisa para HPV
  2. B) repetir exame em seis meses
  3. C) investigação do canal endocervical com histeroscopia
  4. D) conização por cirurgia de alta frequência
  5. E) destruição da zona de transformação com ácido tricloroacético

Pérola Clínica

AGC em citologia → Investigação endocervical (colposcopia + biópsia direcionada/histeroscopia) para excluir lesão glandular.

Resumo-Chave

A atipia de células glandulares (AGC) no Papanicolau exige investigação aprofundada, pois pode indicar lesões pré-malignas ou malignas do epitélio glandular, frequentemente localizadas no canal endocervical, que não são visíveis na colposcopia externa. A histeroscopia é crucial para avaliar essa região.

Contexto Educacional

A atipia de células glandulares (AGC) na citologia oncótica cervical representa um achado de grande importância clínica, indicando a presença de células glandulares com alterações morfológicas que não se enquadram em lesões escamosas. Embora menos comum que as lesões escamosas, a AGC está associada a um risco elevado de lesões pré-malignas (adenocarcinoma in situ) e malignas (adenocarcinoma invasivo) do colo do útero, endométrio ou até mesmo de outros sítios. A prevalência de AGC varia, mas sua detecção exige uma investigação rigorosa devido ao potencial de doença grave. A fisiopatologia das lesões glandulares cervicais frequentemente envolve a infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) de alto risco, embora em menor proporção que as lesões escamosas. O diagnóstico de AGC no Papanicolau exige uma abordagem sistemática que inclui colposcopia, biópsias direcionadas e, crucialmente, a investigação do canal endocervical e da cavidade uterina. A histeroscopia é fundamental para avaliar o canal endocervical, onde muitas lesões glandulares se originam e podem não ser visíveis à colposcopia. O tratamento e o prognóstico dependem dos achados histopatológicos da investigação. Se uma lesão de alto grau ou câncer invasivo for identificado, a conduta pode variar desde procedimentos excicionais (conização) até histerectomia, dependendo da extensão da doença e do desejo reprodutivo da paciente. É vital que residentes e profissionais de saúde compreendam a seriedade da AGC e sigam os protocolos de investigação para garantir o diagnóstico precoce e o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da atipia de células glandulares (AGC) no Papanicolau?

A AGC indica um risco significativo de lesões pré-malignas ou malignas do epitélio glandular, incluindo adenocarcinoma in situ e adenocarcinoma invasivo, que podem não ser detectadas por colposcopia simples.

Por que a histeroscopia é indicada na investigação de AGC?

A histeroscopia permite a visualização direta e biópsia do canal endocervical e cavidade uterina, regiões onde as lesões glandulares frequentemente se originam e que são inacessíveis à colposcopia convencional.

Quais são os próximos passos após a detecção de AGC e investigação inicial?

Após a investigação inicial com colposcopia, biópsia direcionada e/ou histeroscopia, a conduta dependerá dos achados histopatológicos, podendo variar de seguimento a procedimentos excicionais como a conização.

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