FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2015
Dona Maria Aparecida tem 92 anos, escorregou na cozinha no meio da noite, caindo da própria altura. Não conseguiu se levantar e foi acudida pelos familiares que chamaram o SAMU. Foi levada para o hospital de referência da cidade onde foi constatada fratura de fêmur. Ficou com a perna afetada sob tração durante uma semana. Seu médico não indicou cirurgia em função de sua idade e suas condições clínicas: era magra e hipertensa, ainda que controlada com medicamentos, e tinha insuficiência cardíaca leve. Sua radiografia de tórax mostrava congestão pulmonar discreta e sinais de aterosclerose. Voltaria para casa, mas teve intensificação de uma tosse seca que passou a produtiva, sem febre. Como tinha algum desconforto respiratório, seus familiares resolveram pedir ao médico assistente que permanecesse internada. O médico já notara estertores finos nas bases pulmonares, mas considerou ser decorrente do grau de insuficiência cardíaca e do fato de estar acamada. Dona Maria Aparecida piorou muito seu estado respiratório, o médico assistente contou que tinha broncopneumonia. Apesar dos cuidados intensivos, dona Maria faleceu depois de três dias. No Atestado de Óbito, as causas: básica, contributiva e determinante são, respectivamente:
Causa Básica = doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos que levou à morte. Contributiva = condições preexistentes. Determinante = causa imediata.
A fratura de fêmur em idosos frequentemente leva a imobilização prolongada, que é um fator de risco para complicações como broncopneumonia e piora de condições preexistentes como insuficiência cardíaca. A sequência correta no atestado de óbito reflete essa cascata de eventos.
O preenchimento correto do atestado de óbito é uma responsabilidade médica crucial, com implicações legais, epidemiológicas e de saúde pública. A compreensão da sequência de eventos que levam à morte é fundamental para identificar a causa básica, as causas intermediárias e a causa imediata, além das condições contributivas. A causa básica é definida como a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos patológicos que conduziu diretamente à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. No caso da paciente, a fratura de fêmur foi o evento inicial que desencadeou uma série de complicações. A imobilização prolongada resultante da fratura, agravada pelas comorbidades preexistentes (insuficiência cardíaca e hipertensão), levou ao desenvolvimento de broncopneumonia. Esta infecção pulmonar, por sua vez, culminou em insuficiência respiratória e, consequentemente, no óbito. A insuficiência cardíaca congestiva é uma condição preexistente que contribuiu para a vulnerabilidade da paciente e para a gravidade da broncopneumonia. Portanto, a sequência correta para o atestado de óbito seria: Fratura do fêmur (causa básica, o evento inicial), Insuficiência cardíaca congestiva (condição contributiva, agravando o quadro), e Broncopneumonia (causa imediata, a condição que diretamente levou ao óbito, sendo uma complicação da imobilização e das comorbidades). A precisão nesse preenchimento é vital para a coleta de dados de mortalidade e para a formulação de políticas de saúde pública.
A causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos patológicos que levou à morte. A causa imediata é a condição final que diretamente resultou no óbito, sendo uma consequência da causa básica ou de suas complicações.
A fratura de fêmur em idosos frequentemente resulta em imobilização prolongada, o que aumenta o risco de complicações como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, úlceras de pressão, infecções urinárias e, notavelmente, broncopneumonia por aspiração ou hipostase, além de descompensar comorbidades.
O atestado deve seguir uma sequência lógica e cronológica dos eventos que levaram à morte. A causa básica é a doença ou lesão original, seguida pelas condições intermediárias e, por fim, a causa imediata. Condições preexistentes que contribuíram são listadas separadamente.
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