UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Homem de 21 anos sofreu picada de cobra (espécie não identificada) no membro inferior esquerdo (MIE) que causou lesão necrótica extensa e profunda. Após 24 horas, foi internado na UTI com alteração da coagulação, celulite extensa no MIE, sepse e necessidade de ventilação mecânica. No sétimo dia, passou a apresentar anúria, acidose, insuficiência renal aguda e hiperpotassemia, evoluindo com parada cardiorrespiratória refratária e indo a óbito. Assinale a assertiva correta sobre o fornecimento do atestado de óbito.
Morte por causa externa (ex: picada de cobra, trauma) → IML é responsável pelo atestado de óbito.
Em casos de morte por causa externa, violenta ou não natural (como picada de cobra, mesmo com complicações), o médico assistente não deve emitir o atestado de óbito. A responsabilidade recai sobre o Instituto Médico Legal (IML), que realizará o exame cadavérico para determinar a causa mortis.
A emissão do atestado de óbito é um ato médico de grande responsabilidade legal e ética. Ele não apenas certifica o falecimento, mas também registra a causa da morte, com implicações para a família, saúde pública e investigações legais. A correta classificação da causa mortis é fundamental para a epidemiologia e para a justiça. A legislação brasileira e o Código de Ética Médica estabelecem diretrizes claras sobre quem deve emitir o atestado de óbito. Em geral, o médico assistente é responsável por mortes naturais com causa bem definida. No entanto, em situações de morte por causa externa (traumas, envenenamentos, acidentes, suicídios, homicídios) ou mortes suspeitas, a responsabilidade é transferida para o Instituto Médico Legal (IML). É crucial que o residente compreenda essa distinção. Mesmo que o paciente tenha sido acompanhado por dias na UTI e a equipe conheça as complicações clínicas que levaram ao óbito, se a origem do quadro foi uma causa externa (como a picada de cobra neste caso), o IML deve ser acionado. A necropsia médico-legal determinará a causa jurídica da morte, garantindo a integridade do processo legal e ético.
O médico assistente não pode emitir o atestado de óbito em casos de morte por causa externa (violenta ou não natural), morte suspeita, morte sem assistência médica ou quando a causa do óbito não pode ser determinada.
O IML é responsável por realizar o exame cadavérico (necropsia) e emitir o atestado de óbito em todas as mortes por causa externa, violenta ou suspeita, para determinar a causa jurídica da morte.
Sim, mesmo que o paciente evolua com complicações clínicas graves (como insuficiência renal e sepse), a picada de cobra é o evento inicial e classificador da morte como causa externa, exigindo a atuação do IML.
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