HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2019
S.J.M., 77 anos, sexo feminino, portadora de diabetes mellitus não insulino- dependente, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, hipotireoidismo e doença renal crônica estágio IIIb, foi internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) de um hospital universitário devido à sepse de foco urinário. Evoluiu com piora da função renal com hipercalemia grave com indicação de hemodiálise e, durante a punção do cateter duplo lúmen, apresentou parada cardiorrespiratória em ritmo de fibrilação ventricular. Após tentativas de ressuscitação cardiopulmonar sem sucesso, foi declarado óbito da paciente. Em relação ao preenchimento correto do atestado de óbito dessa paciente, assinale a alternativa que MELHOR representa as causas de sua morte e a forma que deve ser utilizada para o preenchido:
Atestado de óbito: Sequência causal da morte, do evento imediato à causa básica subjacente.
O preenchimento do atestado de óbito deve seguir uma sequência lógica e cronológica das causas da morte, partindo do evento mais imediato que levou ao óbito (causa imediata) até a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos (causa básica). No caso apresentado, a arritmia (FV) levou à PCR, precipitada pela hipercalemia, que foi complicação da insuficiência renal agudizada, decorrente da sepse.
O preenchimento correto do atestado de óbito é uma responsabilidade médica fundamental, com implicações legais, epidemiológicas e estatísticas. É crucial que o médico compreenda a lógica da sequência causal da morte, que deve ser estabelecida de forma clara e cronológica, do evento mais recente e direto que levou ao óbito até a causa básica que iniciou toda a cadeia de eventos. A Parte I do atestado de óbito destina-se às causas diretas e antecedentes da morte, seguindo uma ordem de 'a' (causa imediata) a 'd' (causa básica). A causa imediata é o evento final (ex: Parada Cardiorrespiratória), que foi resultado de uma causa antecedente (ex: Arritmia), que por sua vez foi causada por outra condição (ex: Hipercalemia), e assim sucessivamente até a causa básica (ex: Sepse). A Parte II é reservada para outras condições significativas que contribuíram para a morte, mas não estavam na sequência causal direta. Para residentes, dominar essa técnica é essencial para a prática clínica e para a aprovação em provas. A capacidade de identificar a cadeia de eventos que culminou no óbito, diferenciando causas diretas de comorbidades contribuintes, reflete um raciocínio clínico apurado e a compreensão da fisiopatologia das doenças. Um preenchimento inadequado pode comprometer dados de saúde pública e gerar problemas legais.
A causa imediata de óbito é a doença ou lesão que diretamente levou à morte, sem outras intercorrências. A causa básica de óbito é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que, sem interrupção, conduziu à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal.
A sequência causal é estabelecida de forma regressiva, partindo da causa imediata (linha 'a' da Parte I do atestado), passando pelas causas intermediárias (linhas 'b' e 'c'), até a causa básica (linha 'd'). Cada linha deve ser a causa da linha imediatamente superior.
Sim, as comorbidades que contribuíram para a morte, mas não fazem parte da sequência causal direta, devem ser listadas na Parte II do atestado de óbito. Elas são condições preexistentes que podem ter agravado o quadro ou tornado o paciente mais vulnerável, mas não iniciaram a cadeia de eventos fatais.
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