UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Um homem de 65 anos de idade com história de dislipidemia mista e hipertensão arterial foi submetido recentemente a cateterismo cardíaco devido quadro de angina instável. Na avaliação de lesão renal aguda, o achado no exame de urina mais sugestivo de êmbolos de colesterol como causa da insuficiência renal, deste paciente, é:
Lesão renal aguda pós-cateterismo + eosinofilúria = forte suspeita de êmbolos de colesterol.
Ateroembolismo renal por cristais de colesterol é uma causa importante de lesão renal aguda, especialmente após procedimentos vasculares invasivos como cateterismo. A eosinofilúria, juntamente com outros achados como livedo reticular e síndrome do dedo azul, é um marcador sugestivo dessa condição.
O ateroembolismo renal, ou doença por êmbolos de colesterol, é uma causa subestimada de lesão renal aguda (LRA) e insuficiência renal crônica progressiva. Caracteriza-se pela liberação de cristais de colesterol de placas ateroscleróticas da aorta ou de grandes artérias, que embolizam para a microvasculatura de diversos órgãos, incluindo os rins. É mais comum em pacientes idosos com aterosclerose avançada, frequentemente desencadeado por procedimentos vasculares invasivos como cateterismo cardíaco ou angiografia. A fisiopatologia envolve a oclusão de arteríolas renais por cristais de colesterol, levando a isquemia, inflamação local e necrose tubular. A resposta inflamatória sistêmica pode ser significativa, com elevação de PCR e leucocitose. O diagnóstico é clínico, baseado na história de procedimento vascular recente e nos achados multissistêmicos, como livedo reticular, síndrome do dedo azul, e disfunção de outros órgãos. A eosinofilúria (presença de eosinófilos na urina) é um achado laboratorial sugestivo, embora não patognomônico. Não há tratamento específico para o ateroembolismo renal, sendo o manejo de suporte a principal abordagem. Isso inclui controle da pressão arterial, manejo da dislipidemia e suporte renal. A prevenção é fundamental, minimizando o trauma vascular durante procedimentos e otimizando o controle dos fatores de risco cardiovascular. O prognóstico é variável, mas a LRA pode ser grave e irreversível em alguns casos.
Fatores de risco incluem idade avançada, aterosclerose grave, hipertensão, dislipidemia, diabetes e, principalmente, procedimentos vasculares invasivos como cateterismo ou cirurgia aórtica.
Outros achados incluem livedo reticular, síndrome do dedo azul (cianose e dor nos dedos dos pés), lesões cutâneas isquêmicas, insuficiência renal progressiva e elevação de marcadores inflamatórios.
Cristais de colesterol se desprendem de placas ateroscleróticas da aorta e ocluem pequenas artérias renais, causando isquemia, inflamação e necrose tubular, levando à disfunção renal.
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