Violência Sexual em Homem Trans: Conduta e Contracepção

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem trans é atendido em pronto atendimento 4 dias após sofrer espancamento e violência sexual. Tem 21 anos e nega patologias e cirurgias prévias e está em uso de tratamento hormonal. Refere ter ficado desacordado após o evento e ter encontrando marcas de relação pênis-vagina, com ejaculado. Com base nesses dados, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Deve-se realizar gesta-test e, se negativo, iniciar a prescrição de contracepção de emergência.
  2. B) Não prescrever contracepção de emergência oral, pois o evento ocorreu há mais de 72 horas.
  3. C) Não prescrever TARV devido ao risco de interação da medicação com a testosterona.
  4. D) Prescrever TARV, uma vez que o paciente sofreu o abuso há menos de cinco dias.
  5. E) Caso o paciente realize tratamento hormonal com ciproterona não há necessidade da prescrição de contracepção de emergência.

Pérola Clínica

Violência sexual em homem trans: Gesta-test + Contracepção de Emergência (se < 5 dias).

Resumo-Chave

Mesmo em uso de testosterona, a gestação é possível em homens trans com útero. A contracepção de emergência é indicada se o evento ocorreu há menos de 5 dias (120 horas), e a TARV deve ser considerada pela exposição a risco de HIV.

Contexto Educacional

O atendimento a vítimas de violência sexual, especialmente em populações vulneráveis como homens trans, exige uma abordagem sensível, informada e baseada em evidências. É crucial reconhecer que homens trans que mantêm seus órgãos reprodutivos femininos (útero e ovários) podem engravidar, mesmo em uso de terapia hormonal com testosterona, pois esta não é um método contraceptivo confiável. A supressão da ovulação pode ser incompleta, tornando a gesta-test (teste de gravidez) um passo inicial indispensável. A contracepção de emergência (CE) é uma medida fundamental e deve ser oferecida se o evento de violência sexual ocorreu dentro da janela de eficácia, que é de até 120 horas (5 dias) após o ato. Existem diferentes opções de CE, como pílulas de progesterona ou combinadas, e a escolha deve ser individualizada. Além disso, a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é igualmente vital, com a PEP para HIV sendo mais eficaz se iniciada nas primeiras 72 horas, mas ainda considerada até 5 dias em casos de alto risco. A interação medicamentosa entre a terapia hormonal (testosterona) e a TARV ou a contracepção de emergência deve ser avaliada, mas geralmente não contraindica a profilaxia. O foco principal é a segurança e a saúde da vítima, garantindo acesso a todas as intervenções preventivas e de suporte psicológico necessárias, respeitando sua identidade de gênero e autonomia.

Perguntas Frequentes

Por que realizar gesta-test em homem trans vítima de violência sexual?

Homens trans que mantêm útero e ovários podem engravidar, mesmo em uso de testosterona, pois a supressão ovariana não é garantida. O teste de gravidez é fundamental para descartar gestação pré-existente ou resultante do abuso.

Qual o prazo para a contracepção de emergência e TARV pós-violência sexual?

A contracepção de emergência é eficaz se iniciada até 120 horas (5 dias) após o ato. A TARV (Profilaxia Pós-Exposição - PEP) deve ser iniciada idealmente nas primeiras 72 horas, mas pode ser considerada até 5 dias após a exposição de alto risco.

O tratamento hormonal com testosterona impede a gravidez?

Não, o tratamento hormonal com testosterona não é um método contraceptivo eficaz. A supressão da ovulação pode não ser completa, e a gravidez é possível.

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