HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022
Mulher, 20 anos de idade, moradora do território onde você trabalha, pede uma consulta com urgência e informa, com ar apreensivo, chorosa e com muita dificuldade de se expressar, que foi vítima de violência sexual há 2 dias por um parente próximo, em que houve penetração vaginal, e que não pretende fazer denúncia nem procurar nenhum órgão competente para não causar problemas com a família. Relata que não usa método contraceptivo. Quanto ao atendimento da paciente acima, a conduta a respeito de aspectos médicos e éticos deve ser:
Vítima de violência sexual: priorizar escuta empática, sigilo, anticoncepção de emergência e profilaxia ISTs, respeitando autonomia sobre denúncia.
O atendimento à vítima de violência sexual deve ser imediato, humanizado e sigiloso, priorizando a saúde física e mental da paciente. É fundamental oferecer anticoncepção de emergência e profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) o mais rápido possível, independentemente da decisão da paciente sobre a denúncia ou o encaminhamento para medicina legal.
O atendimento à vítima de violência sexual é uma situação de urgência que exige uma abordagem humanizada, ética e técnica por parte dos profissionais de saúde. A prevalência da violência sexual é alta, e suas consequências físicas e psicológicas podem ser devastadoras. É crucial que os profissionais estejam preparados para oferecer um suporte integral, respeitando a autonomia e a dignidade da vítima. Do ponto de vista médico, a prioridade é a prevenção de gravidez indesejada e de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A anticoncepção de emergência deve ser oferecida o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 72 horas, mas pode ser eficaz até 120 horas. A profilaxia para ISTs (HIV, sífilis, gonorreia, clamídia, hepatite B) deve ser iniciada prontamente, seguindo os protocolos específicos. Além disso, a avaliação de lesões físicas e o suporte psicológico são indispensáveis. Os aspectos éticos são centrais: o atendimento deve ser sigiloso, sem julgamentos, e a decisão de denunciar ou procurar a medicina legal pertence exclusivamente à vítima. O profissional de saúde tem o dever de informar sobre os direitos e as opções disponíveis, mas não de coagir. A atuação de uma equipe multiprofissional é ideal para garantir um cuidado abrangente, que inclua apoio psicológico e social, além do tratamento médico, visando a recuperação física e emocional da paciente.
As prioridades incluem acolhimento com escuta empática em ambiente sigiloso, avaliação clínica completa, administração de anticoncepção de emergência e início da profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) virais e não-virais, além de avaliação para profilaxia de tétano e hepatite B.
Não, a vítima não é obrigada a fazer denúncia ou exame de corpo de delito. A decisão de denunciar ou procurar órgãos competentes é um direito da vítima e deve ser respeitada. O atendimento médico não pode ser condicionado a essas ações.
A equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais) oferece um suporte integral, que inclui atendimento médico, apoio psicossocial, orientação sobre direitos e encaminhamentos necessários, garantindo um cuidado humanizado e abrangente à vítima.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo